09 Dezembro 2021, 03:14

“A experiência em Nova Iorque tem sido única” – Tiago Mogadouro

Tiago Mogadouro (à esquerda) trabalha no Museu Madame Tussauds em Nova Iorque.

Tiago Mogadouro está em Nova Iorque, há pouco mais de um ano, a viver um sonho antigo e o desafio profissional que procurava. Na cidade que nunca dorme, o «Head» of Marketing do Museu Madame Tussauds, que saiu do Porto em 2020, garante que a experiência tem sido única e que o maior desafio pessoal é mesmo o de é gerir o dia a dia com duas crianças pequenas, sem o apoio da família. No entanto, frisa, Nova Iorque “é um sítio único no Mundo” e, para já, é por lá que pretende continuar, apesar da falta que sente da não menos única francesinha.

Porque decidiu emigrar?
Nova Iorque! O sonho era antigo e desde que passei pela primeira vez pelos Estados Unidos que tinha a intenção de voltar. Em finais de 2019 surgiu a proposta de trabalho em Nova Iorque, algo que procurava há 10 anos, pelo que não foi uma decisão difícil. Emigrar não é uma palavra com que me identifique particularmente. Hoje em dia todos podemos viver em qualquer lado e há uma flexibilidade enorme para mudar de local de trabalho pelo que simplesmente penso que agora vivemos em Nova Iorque.

Por que países já passou?
Em 2008 tive a oportunidade de passar um semestre a trabalhar e a estudar nos Estados Unidos e essa foi a minha primeira experiência fora de Portugal. Depois estudei na Dinamarca, fiz um estágio em Espanha e voluntariado em Inglaterra.

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Como tem sido a experiência nos EUA?
Única! Em primeiro lugar porque me mudei para cá no início de Março de 2020 e tive de voltar para Portugal quando tudo isto fechou. Depois porque voltamos (eu e o resto da família) definitivamente com a cidade praticamente fechada e já em pleno inverno. Foi uma experiência surreal encontrar 90% das lojas fechadas, incluindo restauração. Basicamente Nova Iorque não parecia Nova Iorque. Gradualmente as coisas foram melhorando e neste momento já fazemos uma vida normal ainda que muita coisa não esteja de ainda de volta. Comparando com Portugal no geral, Nova Iorque não é uma cidade fácil para se viver, as pessoas não têm tempo nem demonstram grande cortesia, a cidade no geral é suja, ainda há imensos sem abrigo na rua, etc. Apesar de tudo, é um sítio único no mundo onde se pode ser e fazer tudo, sem que ninguém questione ou se preocupe. É Nova Iorque, com tudo o que a cidade tem do melhor e de pior e tudo faz parte do encanto e da experiência.

Como se vive aí esta pandemia?
Neste momento convive-se com a pandemia. A cidade de Nova Iorque é muito diferente do resto do país. A percentagem de vacinados é semelhante a Portugal e foram implementadas imensas regras para que a cidade possa “sair” desta crise provocada pela pandemia, como por exemplo, ser necessário estar vacinado para ir a um restaurante ou a qualquer museu, evento cultural, etc. A cidade, neste momento, está a pagar para que as pessoas se vacinem porque acreditam que com a população vacinada, podemos voltar a ter uma vida idêntica ao antes pandemia.

Quais são os principais desafios pessoais e profissionais?
O principal desafio pessoal, que partilho com a minha mulher, é gerir o dia a dia com duas crianças pequenas, sem o apoio da família. Tal como referi acima, esta não é uma cidade fácil para se viver. Um exemplo é o facto de a creche encerrar às 14h e da maioria das estações de metro não terem elevadores. A nível profissional, o maior desafio foi provar que era a pessoa certa para um lugar para onde há milhares de outras opções ao virar da esquina, num mercado extremamente exigente. Felizmente creio que consegui demonstrar isso e daí veio a minha recente promoção para a posição de head do departamento. A médio prazo, gerir a recuperação pós-pandemia vai ser fulcral e o grande desafio é voltar aos níveis de crescimento pós crise de 2009.

Como gere o facto de estar longe da família e dos amigos?
Não é fácil, mas já foi bastante mais difícil. Lembro-me em 2008, quando estava nos Estados Unidos, raramente falava com os meus pais pelo telefone. Na altura o Skype funcionava erraticamente, a internet era lenta e a distância sentia-se muito mais. Agora a qualquer momento se faz uma vídeo chamada e o sentimento de proximidade é muito diferente.

Do que sente mais falta?
De uma francesinha de vez em quando! Provavelmente não estamos fora há tempo suficiente para sentir falta de algo substancial. Neste momento estamos a tentar aproveitar o que de melhor Nova Iorque tem, sabendo que Portugal tem coisas melhores e piores e que um dia voltaremos para, como bons portugueses que somos, nos pudermos queixar de tudo!

Vem com frequência a Portugal (ou vinha antes da pandemia)?
Ainda não voltamos. Tencionamos regressar no Natal e depois começar a receber todos os familiares e amigos que nos querem visitar, mas que ainda não tiveram oportunidade devido ao facto de as fronteiras dos Estados Unidos terem estado fechadas.

Está nos seus planos regressar definitivamente a Portugal?
A seu tempo, sim! Chegamos recentemente daí ainda não estarmos com pressa de voltar.

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