07 Fevereiro 2023, 11:00

ACNUR abre representação em Portugal e lembra que ninguém escolhe ser refugiado

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 09 dez 2022 (Lusa) — Ninguém escolhe ser refugiado, mas qualquer um pode escolher ajudar e essa é a premissa na base da campanha Portugal ACNUR, para sensibilizar os portugueses a ajudar as 103 milhões de pessoas que ficaram com a vida ao contrário.


A campanha “Vidas ao Contrário” procura chamar a atenção para a realidade de mais de cem milhões de pessoas obrigadas a fugir das suas casas e dos seus países e marca a estreia da agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em Portugal, agora com representação oficial.


Em declarações à agência Lusa, a diretora nacional da Portugal com ACNUR salientou que esta é a primeira de “muitas mais” campanhas que se seguirão para angariação de fundos.


“Já no início de janeiro vamos lançar o projeto ‘Face to Face’, que são equipas que teremos na rua, em várias cidades, a abordar pessoas e a convidá-las a conhecer o trabalho do ACNUR em todo o mundo, a poderem contribuir com um apoio mensal”, explicou Joana Brandão.


De acordo com a responsável, apesar de a maior parte das pessoas não ter perceção, o apoio dos donativos “faz uma diferença enorme para a sustentabilidade das organizações”.


Explicou também que a decisão de abrir uma representação oficial do ACNUR em Portugal teve exatamente a ver com a “necessidade de mobilização de recursos” e de sensibilização para a causa dos refugiados.


“Decidiu-se agora abrir este parceiro nacional em Portugal que terá como objetivo fazer trabalho de educação, consciencialização para as necessidades e para as condições de vida das pessoas refugiadas e deslocadas, mas também trabalho de angariação de fundos, mobilizar as pessoas, as empresas para poderem contribuir para o ACNUR”, referiu, acrescentando que até agora não havia no país uma estrutura através da qual os portugueses pudessem apoiar o ACNUR.


Segundo a responsável, os países onde a situação em termos de refugiados é mais crítica são a Síria — que conta com 6,8 milhões de refugiados, segundo o relatório do ACNUR relativo ao primeiro semestre de 2022 — a Venezuela, Ucrânia, Afeganistão, Myanmar (antiga Birmânia), mas também o Paquistão, onde as cheias provocaram quase oito milhões de deslocados ou Moçambique, com quase um milhão de deslocados internos.


“A campanha ‘Vidas ao Contrário’ surgiu na sequência destes dados do relatório semestral do ACNUR, relativo ao primeiro semestre deste ano, que relata que 103 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas fugir, falamos de refugiados, deslocados internos, requerentes de asilo, e outras pessoas que precisam de proteção internacional”, destacou Joana Brandão.


Segundo a responsável, este valor representa “um aumento neste primeiro semestre de 15% face a dezembro”, algo que “nunca tinha sido registado pelo ACNUR e que tem muito a ver com a guerra na Ucrânia”.


“Quisemos sensibilizar as pessoas cá e as empresas para este número e transmitir que juntos queremos mudar esta realidade e que as pessoas podem contribuir. Ninguém escolhe ser refugiado, mas muitos de nós podemos escolher ajudar e é isso que queremos passar às pessoas”, defendeu.


A responsável apontou que quem quiser contribuir o pode fazer através do ‘site’ Portugal com ACNUR, seguir a instituição nas redes sociais ou contribuir com um donativo mensal ou pontual, consoante as possibilidades.


“O apelo é de que juntos podemos ajudar o ACNUR nas respostas de emergência, na proteção internacional destas pessoas, na tentativa de regresso a casa destas pessoas ou nos programas de acolhimento em terceiros países e estamos com muito boa expectativa não só pelo acolhimento da campanha mas porque Portugal é um país generoso e muitas pessoas podem ajudar”, sustentou.


Relativamente ao trabalho que a agência se propõe fazer em Portugal, Joana Brandão adiantou que passará também por campanhas de sensibilização junto de crianças, jovens, mas também adultos, tendo em conta a “ameaça da xenofobia” e a presença de “informação menos credível”, de maneira a dar a conhecer conceitos, mas também factos e números.


“O desafio nesta fase é a abertura das comunidades para podermos receber estas pessoas por todo o mundo porque o número não para de crescer e muitas vezes a solução está na capacidade de resposta que o mundo tem para dar. É abrir fronteiras e receber estas pessoas, este é um dos enormes desafios e isto cabe a todos nós”, rematou.



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