04 Julho 2022, 11:57

ACNUR apela a mais financiamento para ajudar vítimas do ciclone Gombe em Moçambique

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Genebra, 22 mar 2022 (Lusa) – O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) precisa de mais financiamento para ajudar milhares de famílias afetadas pelo ciclone Gombe, disse hoje o porta-voz daquela agência da ONU.


A Gombe que foi a tempestade mais forte a atingir Moçambique, desde os ciclones Idai e Kenneth, em 2019, que provaram a morte de centenas de pessoas e cerca de 2,2 milhões de deslocados, provocou uma crise sanitária na província de Nampula, em 11 de março deste ano, recordou Boris Cheshirkov, numa conferência de imprensa hoje no Palácio das Nações em Genebra, na Suíça.


“O ACNUR está a mobilizar com urgência abrigos e outros artigos essenciais, das suas reservas, para ajudar 62.000 refugiados, deslocados internos e membros da comunidade de acolhimento”, anunciou.


Ainda de acordo com Boris Cheshirkov, várias infraestruturas básicas foram também danificadas no assentamento de Maratane, que acolhe 9.300 refugiados, como escola primária, centro de saúde, armazéns do ACNUR, centro de trânsito, e sistemas de irrigação.


No entanto, alertou, “é necessário mais financiamento para assegurar que essas reparações possam ser feitas de modo que os serviços básicos para os refugiados não sejam perturbados”.


Segundo a mesma fonte, “mais de 380.000 pessoas foram afetadas só na província de Nampula, segundo as autoridades locais, incluindo dezenas de milhares de pessoas deslocadas”, e essas pessoas agora “necessitam urgentemente de assistência humanitária, incluindo material de abrigo, para reconstruir as casas que ruíram durante a tempestade”.


Todas as regiões do mundo estão a sofrer os riscos climáticos e ciclones e outras tempestades estão a tornar-se mais frequentes e severas, as cheias são mais fortes, as secas estão a intensificar-se, e os incêndios florestais estão a tornar-se mais devastadores, referiu o porta-voz.


“Aqueles com menos meios para se adaptarem são os mais duramente atingidos, incluindo refugiados, deslocados internos e pessoas apátridas. Mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e povos indígenas são afetados de forma desproporcionada. Mais de 80% dos refugiados e das pessoas deslocadas internamente provêm dos países mais vulneráveis ao clima em todo o mundo”, acrescentou.


A passagem do ciclone Gombe provocou a morte e destruição na província de Nampula, norte do país, onde perderam a vida 53 pessoas, seguindo-se a província da Zambézia, centro, com quatro óbitos, e Sofala, com duas mortes.


Moçambique enfrenta anualmente várias tempestades durante a época ciclónica e chuvosa, que decorre entre outubro e abril.



ATR (PMA) // VM


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