04 Julho 2022, 02:44

África precisa de “acelerar drasticamente” para alcançar objetivos no acesso a água

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Dacar, 22 mar 2022 (Lusa) — Para que África alcance os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) relativos à água será preciso “acelerar drasticamente” os progressos no que diz respeito ao acesso a água, saneamento e serviços básicos de higiene, alerta um relatório hoje divulgado.


Lançado durante o Fórum Mundial da Água, que está a decorrer em Dacar até sábado, o relatório das agências das Nações Unidas para a saúde e a infância (OMS e Unicef) alerta que, se a tendência atual se mantiver, muito poucos Estados-membros da União Africana conseguirão alcançar o acesso universal a água potável, ao saneamento gerido com segurança ou a serviços básicos de higiene até 2030.


Segundo um comunicado do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o relatório, que pede “ação urgente num continente em que a escassez de água e o reduzido saneamento podem ameaçar a paz e o desenvolvimento”, recorda que 418 milhões de africanos ainda não têm sequer acesso a um serviço básico de água potável, 778 milhões não têm saneamento básico e 839 milhões não têm serviços básicos de higiene.


Para alcançar os ODS, adotados pelas Nações Unidas em setembro de 2015 e a serem atingidos até 2030, África tem de multiplicar por 12 a sua taxa atual de progresso no acesso a água potável, multiplicar por 20 o saneamento e por 42 o acesso a serviços de higiene básicos.


“Acesso equitativo a água potável, saneamento e higiene não é apenas a base da saúde e do desenvolvimento para crianças e comunidades. Água é vida, água é desenvolvimento, água é paz”, disse a diretora regional da Unicef para a África Ocidental e Central, Marie-Pierre Poirier, citada no comunicado.


“Numa altura em que a escassez de água alimenta conflitos e em que os pontos de acesso a água são alvos, a Unicef apela a ações urgentes. Precisamos de água, saneamento e higiene nas escolas, especialmente para as meninas que poderão estar a faltar à escola porque não há casas de banho ou porque têm de ir buscar água”, afirmou a responsável.


O relatório lembra ainda que existem grandes desigualdades dentro de cada país, nomeadamente entre zonas rurais e urbanas, entre regiões e entre os mais ricos e os mais pobres.


Nas zonas urbanas, duas em cada cinco pessoas têm falta de água potável gerida com segurança, duas em cada três têm falta de saneamento seguro e metade das populações não têm serviços básicos de higiene seguros.


Nas zonas rurais, quatro em cada cinco pessoas não têm acesso a água potável gerida com segurança, três em cada quatro não têm saneamento seguro e sete em cada 10 não têm serviços básicos de higiene seguros.


O 9.º Fórum Mundial da Água, que começou na segunda-feira e termina no sábado, decorre pela primeira vez na África subsaariana, organizado pelo Senegal, que atualmente preside à União Africana.


O evento visa ser uma plataforma para encontrar soluções que aumentem o acesso à água e ao saneamento no continente até 2030.



FPA // LFS


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