03 Dezembro 2021, 10:35

África tornou-se no novo epicentro do extremismo – bispo da Nigéria

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Redação, 20 mai 2021 (Lusa) – O bispo da diocese de Maiduguri, no norte da Nigéria, Oliver Dashe Doeme, disse que África se tornou no “novo epicentro do extremismo” islâmico e apelou à cooperação internacional com o continente “para derrotar um inimigo comum”.


“Após a derrota do Daesh no Iraque e na Síria, África tornou-se o novo epicentro do extremismo”, disse Oliver Dashe Doeme, em declarações divulgadas pelo capítulo português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), instituição de apoio aos cristãos perseguidos.


Uma situação que, para o prelado, deve merecer prioridade na ação da comunidade internacional.


“Será necessário a colaboração internacional, trabalhar em conjunto com os países de África, para derrotar o inimigo comum”, sustentou.


A diocese de Maiduguri, capital e maior cidade do estado de Borno, tem estado no centro da violência ‘jihadista’ no norte da Nigéria, onde atua o Boko Haram.


De acordo com o bispo Doeme, foram mortos neste país, “vítimas do terrorismo”, cerca de 12 mil cristãos desde junho de 2015.


A comunidade tem sofrido também ataques por parte de pastores islâmicos da tribo dos Fulani, bem como de grupos originados a partir do Estado Islâmico (Daesh), como é o caso do ISWAP, o grupo Estado Islâmico da Província da África Ocidental.


“A componente religiosa neste conflito é clara”, refere o bispo, sublinhando que estes grupos “não poupam sequer a comunidade muçulmana moderada”.


De acordo com o relatório de 2020 da Fundação AIS sobre a liberdade religiosa no mundo, a Nigéria continua a ser um dos países mais atingidos pelo terrorismo islâmico.


As Nações Unidas (ONU) estimam que cerca de 36 mil pessoas morreram em resultado da violência relacionada com o Boko Haram, e que haverá cerca de dois milhões de deslocados.


Por sua vez, o Comité Internacional da Cruz Vermelha regista a existência de cerca de 40 mil pessoas desaparecidas em África em consequência da violência terrorista.


Destas, sensivelmente metade, são originárias da região norte-nordeste da Nigéria.


Uma realidade dramática, segundo a Fundação AIS, que assinala que o fenómeno tem vindo a crescer ao longo dos últimos anos em todo o continente africano, nomeadamente nos países da região do Sahel.


Esta região, explicou o bispo Doeme, “tornou-se um refúgio seguro para grupos, incluindo o Boko Haram, que prometeram fidelidade ao Estado Islâmico”.


O Chade, o Mali e o Níger são outros países atingidos pela violência, onde é possível constatar a existência de redes terroristas que procuram criar no continente africano diversas “províncias do califado”, como é já percetível também em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, refere a AIS.


De acordo com o relatório da AIS, em 42,5 % dos 54 países do continente africano há perseguição religiosa e em 12 destes países existem formas extremas de perseguição, com assassínios em massa e violência sobre as populações.


Fundada em 1947 para ajudar refugiados de guerra, a Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre) é uma organização católica internacional que apoia mais de 5 mil projetos pastorais em mais de 145 países.



CFF // JH


Lusa/Fim

Sem comentários

deixar um comentário