19 Setembro 2021, 03:43

Agravamento da violência aumenta a crise humanitária e alimentar na Nigéria

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Abuja, 03 jun 2021 (Lusa) – O agravamento da violência e da insegurança está a aumentar a crise humanitária e alimentar no noroeste da Nigéria, especialmente no estado de Zamfara, um dos mais pobres do país, alertou a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF).

“As vidas das pessoas no noroeste da Nigéria são atormentadas pela fome, violência e doenças evitáveis”, disse Froukje Pelsma, responsável da missão da MSF na Nigéria, num comunicado.

“O que estamos a testemunhar é uma emergência humanitária”, alertou a ONG.

Grupos armados, conhecidos como “bandidos”, aglomeram-se no noroeste do país, saqueando aldeias, roubando gado, realizando sequestros em massa com pedidos de resgate, resultando numa insegurança que obriga milhares de pessoas a abandonarem as suas casas.

O noroeste e o centro-oeste da Nigéria têm quase 700.000 pessoas deslocadas internamente, incluindo mais de 120.000 apenas no Estado de Zamfara, que regista 74% das pessoas a viver abaixo da linha da pobreza (dados do Grupo de Crise Internacional), uma das taxas mais altas no mundo.

“Crianças continuam a chegar [aos campos de deslocados] em péssimas condições”, segundo Godwin Emudanohwo, citado no comunicado, que é o responsável pelo centro do MSF em Anka, capital do estado, onde as 150 camas pediátricas estão lotadas.

Desde o início do ano, 10.300 crianças foram atendidas neste centro, principalmente por desnutrição grave, referiu Emudanohwo, acrescentando que são “54% a mais que no ano passado”.

“As famílias contam-nos que por problemas de segurança não podem mais ir à lavoura cultivar, o que significa que temos que nos preparar para novos ciclos de desnutrição”, referiu o médico.

“Quase não há o que comer”, disse a mãe de uma criança doente, citada no comunicado.

“Eu vendo leite de vaca para sobreviver, mas a maior parte de nosso rebanho foi roubado”, referiu a mãe.

No estado de Zamfara, onde centenas de raparigas foram sequestradas em fevereiro, as estradas dificilmente são transitáveis, apesar do envio do exército em 2016. Os habitantes têm medo de ir para os campos de deslocados ou aos hospitais.

CSR // JH

Lusa/Fim

Sem comentários

deixar um comentário