02 Agosto 2022, 13:28

Aldeia dos Caretos mais colorida no 1.º aniversário de Património da Humanidade

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Macedo de Cavaleiros, Bragança, 12 dez 2020 (Lusa) — A aldeia de Podence, em Trás-os-Montes, está mais colorida com o garrido dos Caretos nas fachadas das casas em novos murais que assinalaram hoje o primeiro aniversário da elevação dos tradicionais mascarados a Património da Humanidade.


O vermelho, verde, amarelo e preto dos fatos e das máscaras e as endiabradas criaturas são uma presença constante num passeio pela aldeia de Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, berço do Entrudo Chocalheiro elevado, a 12 de dezembro de 2019, a Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura.


Com novos murais pintados por artistas da região, a Associação dos Caretos de Podence assinalou na manhã de hoje um ano da distinção, marcado também pela inauguração de novos monumentos na aldeia, como as 12 máscaras alusivas à data e um careto para as “selfies” dos visitantes.


Desta forma, os responsáveis querem Podence “seja a aldeia mais colorida de Portugal” e oferecer motivos para visitar o berço dos caretos durante todo o ano, como realçou, António Carneiro, presidente da Associação dos Caretos de Podence.


As regras ditadas pela pandemia ditaram uma cerimónia com pouca gente, mas onde não faltaram também os caretos e a esperança do presidente de que no próximo ano seja possível realizar “uma festa à altura da dignidade do reconhecimento por parte da UNESCO”.


A tradição do Entrudo Chocalheiro, essa será mantida, como garantiu, e os caretos irão sair à rua, entre 13 e 16 de fevereiro, dentro das normas sanitárias, sem os habitais ajuntamentos que, no último carnaval, levaram cerca de 50 mil pessoas à aldeia com 200 habitantes.


Entre as visitas estava o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que prometeu interceder junto do Governo para garantir a pretensão local de ser instalado na terra dos Caretos os pavilhão de Portugal da próxima Expo do Dubai, depois de desmontado.


O presidente da Associação espera algum eco como prenda neste primeiro aniversário, mas de Lisboa ainda não chegou nada.


“Mas temos esperança que ela vai chegar e nós estamos cá para pressionar, no bom sentido, que este é um património que é rico em Trás-os-Montes e que, como disse o senhor presidente da República, os Caretos são a historia de uma tradição, de um povo, de uma região”, afirmou.


A associação pretende instalar no futuro espaço o Museu Europeu da Máscara e do Chocalho.


Uma prenda prometeu o presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, que tornou público que o município tem em curso o processo de aquisição de terrenos na aldeia para instalar o pretendido pavilhão de Portugal depois de terminada a exposição mundial do Dubai, em 2021.


“A Câmara tem já esse processo “muito avançado, com a avaliação de terrenos e a intenção de adquirir”, salientou.


O autarca indicou que, “entretanto estão obras para avançar ainda este mês de dezembro na escola da aldeia, que passará a ser uma oficina de workshops e também novas instalações sanitárias” para criar infraestruturas para receber os visitantes do Entrudo Chocalheiro.


Desde a chegada da pandemia que as deslocações para atuação dos caretos em várias partes do mundo foram todas canceladas, mas os mascarados tornaram-se motivos para criativos de jogos e marcas como a Castelbel, uma empresa portuguesa de fragâncias presente em vários países.


A marca lançou um Sabonete dos Caretos de Podence, apresentado hoje nas comemorações do aniversário de Património da Humanidade.


Os Caretos de Podence marcam a folia de Carnaval no Nordeste Transmontano com coloridos e farfalhudos fatos, máscaras de ferro ou lata, chocalhos à cintura e um pau para amparar as tropelias.


É apontado como “o mais genuíno carnaval português”, sem samba, ao ritmo da tradição.


Em toda a região de Trás-os-Montes há Caretos, todavia os de Podence distinguem-se dos restantes pelo chocalho, daí o nome da festa ser “Entrudo Chocalheiro”.


Os mais emblemáticos mascarados das tradições transmontanas têm representado Portugal em eventos internacionais com presença em dez países



HFI // PJA


Lusa/fim

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