06 Dezembro 2021, 14:49

Amazónia libertou mais carbono do que o que absorveu nos últimos dez anos – estudo

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Paris, 30 abr 2021 (Lusa) – A floresta amazónica brasileira, vítima das alterações climáticas e das atividades humanas, libertou mais carbono do que aquele que absorveu nos últimos dez anos, uma mudança importante e sem precedentes, de acordo com um estudo publicado esta semana.


Sem florestas, um dos “pulmões” do planeta, que absorve entre 25 e 30% dos gases com efeito de estufa emitidos pelo homem, as alterações climáticas seriam muito piores.


Mas há vários anos que os cientistas se preocupam com o facto de as florestas tropicais estarem a ficar sem vapor e receiam que sejam cada vez menos capazes de desempenhar o seu papel de sumidouros de carbono. A preocupação é particularmente aguda na floresta tropical amazónica, que representa metade das florestas tropicais do mundo.


O estudo, publicado quinta-feira na Nature Climate Change por uma equipa internacional, centra-se na Amazónia brasileira, que representa 60% desta floresta primária, e apresenta resultados sombrios.


Entre 2010 e 2019, esta floresta perdeu biomassa: as perdas de carbono da Amazónia brasileira são cerca de 18% superiores aos ganhos, refere o Instituto Francês de Investigação para a Agricultura, Alimentação e Ambiente (Inrae), através de um comunicado.


“Esta é a primeira vez que temos números que mostram que tombámos e que a Amazónia brasileira é um emissor líquido” de carbono, disse Jean-Pierre Wigneron, um investigador da Inrae.


“Até agora, as florestas, especialmente as tropicais, têm-nos protegido, ajudando a abrandar o aquecimento, mas o nosso último bastião, a Amazónia, está a tombar”, adverte o investigador.


O estudo também destaca a responsabilidade pouco conhecida, mas importante, da “degradação” da floresta.


Ao contrário da desflorestação, que faz desaparecer a área arborizada, a degradação inclui tudo o que a pode danificar, sem a destruir completamente: árvores enfraquecidas nas margens das áreas desmatadas, corte seletivo, pequenos incêndios e mortalidade de árvores devido à seca. Danos que são menos facilmente detetados do que grandes áreas que tenham sido limpas.


Utilizando um índice de vegetação derivado de observações de satélite por micro-ondas, que permite sondar todo o extrato vegetal e não apenas o topo do dossel, o estudo conclui que estas degradações florestais contribuíram para 73% das perdas de carbono, em comparação com 27% para a desflorestação, ainda que em grande escala.



SMM // JH


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