03 Julho 2022, 15:57

Ambientalistas do Porto contra “abate massivo de árvores” em Lordelo do Ouro

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Onze associações de defesa do ambiente vão reunir-se no domingo para contestar o “abate massivo de árvores” em Lordelo do Ouro e Massarelos, no Porto, para onde está prevista a construção de habitação acessível.

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Em comunicado, a Campo Aberto adianta hoje que 11 associações ecológicas se vão juntar no domingo para “chamar a atenção” do público e do executivo municipal para a “necessidade de salvaguardar” os espaços verdes junto aos bairros de Lordelo e Pinheiro Torres, bem como a Mata da Pasteleira.

No documento, os subscritores condenam a Câmara do Porto por ter “já em elaboração” projetos destinados à construção de habitação acessível “em locais que hoje estão densamente arborizados”, referindo-se ao projeto de Lordelo do Ouro, que prevê a construção de 300 e 320 fogos, de tipologia T2 e T3, em cinco blocos de habitação.

“Defendemos que é possível evitar o abate dessas arborizações, se houver vontade e bom senso para adequar os projetos aos espaços livres que os rodeiam”, salientam.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Lordelo do Ouro – grupo ecológico (NDMALO-GE), uma das 11 associações que irá participar na concentração, esclareceu que em causa está “o abate de 20 a 30 árvores num terreno municipal” junto ao Hotel Ipanema.

Belmiro Cunha disse ser possível “evitar o abate das árvores” e que a habitação acessível que ali será construída, em “torres”, poderá ser “deslocada para outro terreno municipal livre”.

Contactada pela Lusa, a Câmara do Porto afirmou que os projetos de habitação acessível para os terrenos de Lordelo do Ouro e para a urbanização e requalificação do espaço público envolvente foram desenvolvidos “tendo em conta a criação de corredores ecológicos, atualmente inexistentes, bem como a plantação de árvores que hoje não povoam o lugar”.

Lembrando que a “habitação para os portuenses é a prioridade”, a autarquia assegura, contudo, que está prevista a “devida compensação do arvoredo, até em maior número face à atual realidade”.

A par da salvaguarda dos espaços verdes junto aos bairros de Lordelo e Pinheiro Torres, as associações vão alertar para a construção de um arruamento na Mata da Pasteleira para unificar as duas áreas do parque urbano.

Em 25 de janeiro de 2021, a Câmara do Porto revelou estar a estudar uma solução para repor a integridade do Parque da Pasteleira, unificando-o e materializando um corredor ecológico entre a marginal fluvial, a Quinta de Serralves e a Avenida do Marechal Gomes da Costa, que deixará de ser caracterizado por “dois becos sem saída” e passará a estar “efetivamente integrado na malha urbana da cidade”.

À Lusa, o presidente do grupo ecológico disse concordar com a “unificação” do parque, mas que a solução não passa pela construção de um arruamento, o qual considerou “uma aberração”, mas pela aplicação da solução apresentada pela autora do projeto do parque – Marisa Lavrador – transformando a rua Afonso Paiva em “túnel”.

“Gostávamos de saber porque é que ao fim de 40 anos a Mata da Pasteleira não pode descansar”, questionou o presidente do grupo ecológico.

A concentração das associações e coletivos, que integram o Movimento Espaços Livres (MEL), está agendada para domingo, às 10 horas, junto ao Hotel Ipanema Park.

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