20 Setembro 2021, 05:45

André Luís Martins quer acabar a carreira “no Douro, onde tudo começou”

André Luís Martins é Sommelier no «Cavalry and Guards Club» em Londres, país que o acolheu há já 15 anos, quando decidiu deixar a Gafanha da Nazaré à procura de uma vida melhor para a família. Natural de uma pequena aldeia no Norte de Portugal, em Chaves, o também Júri internacional na área dos Vinhos, encontrou enormes desafios pessoais e profissionais, ainda antes de uma pandemia cujas consequências ainda se fazem sentir. Aos 39 anos, André Luís Martins garante que continua a ser muito complicado lidar com a ausência da família e dos amigos, mas também com as saudades da culinária e do clima. Por isso, admite, já pensa no regresso a Portugal onde quer contribuir para o crescimento da hotelaria portuguesa. Assim, voltar ao Douro, onde tudo começou, pode ser uma realidade em breve.

Porque decidiu emigrar?
Desde a minha juventude sempre trabalhe na hotelaria como empregado de mesa, bartender, mas a minha formação foi como Mecânico Naval e fiz várias viagens em bacalhoeiros, para pesca do bacalhau no Atlântico Norte. Mas depois conheci a minha ex-esposa e ela não gostava de estar temporadas sozinha… Para além disso, os salários oferecidos em Portugal eram muito baixos. Decidimos tentar emigrar para dar um futuro melhor aos nossos filhos.regressar.

Por que países já passou?
Emigrei diretamente para o Reino Unido.

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Como tem sido a experiência em Londres?
A experiência em Londres tem sido muito enriquecedora tanto profissionalmente como pessoalmente. A nível pessoal, ao trabalhar e viver numa cidade como Londres fiquei exposto a um multiculturalismo incrível. Num das empresas onde trabalhei tinha colegas de 23 nacionalidades diferentes. A cultura da cidade é incrível quer ao nível dos teatros, dos concertos, da riqueza e da culinária. No nível profissional, foi um choque pelo nível de oportunidades e de investimento que as empresas dão aos seus colaboradores. O apoio em todas as empresas com quem colaborei, para que eu pudesse desenvolver-me, foi incrível. Desde suporte financeiro, tempo laboral para estudar e/ou fazer viagens para desenvolver as minhas competências. E a cultura da administração das empresas é diferente. A partilha de informação é quase total e há uma filosofia de desenvolvimento das equipas com menos competências para serem os próximos líderes.

Como se vive aí esta pandemia?
A pandemia foi um grande desafio profissional e pessoal. A nível pessoal, foi um grande desafio de um dia para o outro ter os filhos em casa, com aulas virtuais e trabalhos de casa. Não foi nada fácil, mas com o suporte das escolas e professores acabaram por ir superando os desafios. A nível profissional foi mais complicado. No primeiro confinamento, o meu local de trabalho foi requisitado pelas Forças Armadas para acomodar os elementos destacados para ajudar o Governo. Mas para continuar o envolvimento dos membros com o «club» criamos um clube de vinhos, oferecendo os vinhos a envelhecer nas caves. Com seleção de vinhos mensais, provas de vinhos virtuais e vendendo alguns dos vinhos mais premium a pedido dos membros. A iniciativa ajudou na rotação de vinhos, na venda de extra stock e os nossos fornecedores. Mas o maior desafio está a ser agora, este ano, na reabertura porque estamos a perder alguns colaboradores e está a ser difícil encontrar novos. São tempos desafiantes.

A experiência em Londres tem sido muito enriquecedora tanto profissionalmente como pessoalmente.

Como gere o facto de estar longe da família e dos amigos?
Com as novas tecnologias tornou-se mais fácil. Mas no início fui muito difícil, especialmente para a minha ex-esposa e filhos. A falta dos pais, avós e amigos foi muito difícil e intenso. A falta da praia e da nossa culinária fui complicado, mas aos poucos fomos nos adaptando.

Do que sente mais falta?
Da família e dos amigos. Mas a culinária e o clima também fazem muita falta.

Vem com frequência a Portugal (ou vinha antes da pandemia)?
Uma a duas vezes por ano. Uma das visitas nunca menos de 2 a 3 semanas.

Está nos seus planos regressar definitivamente a Portugal?
Estou a ponderar na próxima década retornar a Portugal. Não é nenhum segredo para os meus amigos e familiares que tenho uma paixão grande pela Região do Douro. Gostaria de dar o meu contributo à hotelaria portuguesa e concluir a minha carreira onde tudo começou.

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