24 Maio 2022, 04:05

António Costa ou Rui Rio? Portugueses escolhem quem será Primeiro-ministro

Andreia Cavaleiro AdministratorBlocked

No próximo domingo, dia 30 de janeiro, os portugueses voltam às urnas para escolher quem será o próximo Primeiro-ministro de Portugal e os deputados que vão ocupar os 230 lugares do Parlamento. Depois da queda do Governo de António Costa, na sequência da dissolução da Assembleia da República, em virtude do «chumbo» do Orçamento de Estado para 2022, os eleitores, que há dois anos escolheram o líder do PS para governar, têm em mãos a mesma decisão e com os mesmos «atores» políticos. António Costa e Rui Rio voltam a ser adversários num cenário em tudo idêntico ao de 2019, verificando-se apenas a mudança na liderança do CDS-PP, com Francisco Rodrigues dos Santos a «enfrentar» a sua primeira noite eleitoral – há dois anos foi Assunção Cristas a concorrer – e do PAN, agora com Inês Sousa Real.

Foi há pouco mais de dois anos (em outubro de 2019) que os portugueses escolheram António Costa para continuar a liderar o Governo, em detrimento de Rui Rio e, certamente, foram poucos os que perspetivaram que, em 2022, os eleitores voltariam às urnas.

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A geringonça, o nome que saiu do acordo entre o PS, Bloco de Esquerda e CDU, e o «casamento» entre a Esquerda, que parecia garantir a estabilidade governativa, acabou em divórcio na altura da discussão do Orçamento do Estado para 2022.

A geringonça que parecia garantir a estabilidade governativa, acabou em divórcio na altura da discussão do Orçamento do Estado para 2022.

Sem ter sequer chegado ao debate na especialidade, e depois do aviso de Marcelo Rebelo de Sousa, o «chumbo» do documento ditou a dissolução da Assembleia da República e a marcação de eleições, a dois anos do fim da legislatura.

O Presidente da República marcou eleições e, numa altura em que o País atravessa uma das piores fases da pandemia, com a quinta vaga de Covid-19, os portugueses são chamados novamente ao centro da decisão.

António Costa e Rui Rio voltam a ser os protagonistas de mais uma campanha eleitoral e a poucos dias das eleições, ninguém se atreve a traçar cenários até porque os recentes erros nas sondagens, nas eleições autárquicas, ainda pairam no ar.

Ainda assim, à Esquerda ou à Direita é quase certo que terá que haver entendimentos entre forças políticas, no dia 31, já que não se vislumbra que qualquer um dos partidos consiga ter maioria absoluta.

300 mil pessoas já votaram

Cerca de 300 mil pessoas recorrerem, no passado domingo, ao voto antecipado para exercerem o seu direito e, assim, evitarem filas e constrangimentos que possam surgir, numa altura em que os casos de infeção por Covid-19 continuam a disparar.

Os líderes António Costa, João Oliveira e Rui Tavares também escolheram votar antecipadamente.

O Primeiro-ministro escolheu votar antecipadamente em mobilidade no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, onde foi recebido à chegada pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e defendeu que estão criadas todas as condições de segurança para o exercício do direito de voto pelos eleitores nas legislativas do próximo domingo.

A escolha dos 230 deputados que vão representar o País no Parlamento

São 230 os deputados que compõem a Assembleia da República portuguesa. Após as eleições, os escolhidos pelos portugueses, distribuídos por cada um dos círculos eleitorais, passam a ocupar os lugares das respetivas bancadas parlamentares, consoante o partido.

Em 2019, os portugueses deram assento a 9 partidos, sendo um em coligação: PS, PSD, CDU (Coligação com o PEV – Partido Ecologista Os Verdes), Bloco de Esquerda, CDS-PP, PAN, Iniciativa Liberal, Chega e Livre.

O Partido Socialista conseguiu eleger 108 deputados, contra os 79 do PSD, seguindo-se BE (19), CDU (PCP 10 + PEV 2), CDS-PP (5), PAN (4), Chega, Iniciativa Liberal e Livre, todos com um eleito.

Olhando para o que aconteceu nas últimas eleições autárquicas, e para as sondagens que vão sendo publicadas, o Chega deve aumentar o número de deputados eleitos, assim como a Iniciativa Liberal, mas também o PAN surge como uma das forças políticas que pode crescer.

Por outro lado, questiona-se até que ponto os partidos mais à esquerda, como Bloco de Esquerda e PCP, «responsáveis» pelo «chumbo» do OE, podem vir a ser penalizados, perdendo, assim, deputados.

Novo Presidente na AR

Assim que os deputados assumirem os seus lugares no Parlamento, o passo seguinte passa pela eleição da Mesa da Assembleia da República, que é composta pelo Presidente, quatro vice-presidentes, quatro secretários e quatro vice-secretários. Todos os membros da Mesa são eleitos pela maioria absoluta dos deputados em funções.

Até à dissolução do Parlamento, era Eduardo Ferro Rodrigues que ocupava a liderança da mesa da Assembleia da República, sendo certo que o mesmo não será reeleito já que comunicou a sua saída das listas de deputados, na mesma altura.

A abstenção continua a ganhar todas as eleições

O cenário repete-se em cada ato eleitoral. Os portugueses continuam a não votar.

Por isso, os números da abstenção em Portugal continuam a ser elevados e é de esperar que o mesmo aconteça no próximo dia 30.

Olhando para os resultados globais de 2019 (gráfico em cima) podemos verificar que apenas 48% dos eleitores escolheu ir às urnas, sendo que mais de metade optou por ficar em casa.

Nessa altura o número de eleitores ultrapassava os 10 milhões, mas pouco mais de cinco optou por exercer o seu direito de voto.

Se analisarmos os resultados apenas do território nacional, as percentagens alteram-se, mas de forma pouco significativa já que votaram 54% dos eleitores, ou seja, pouco mais de cinco milhões para um total de 9 343 920 inscritos.

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