05 Fevereiro 2023, 10:35

“Apostamos na mitigação das carências e na melhoria da qualidade de vida das pessoas” – Paulo Lopes

Filipa Júlio Administrator

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Entrevista a:

Paulo Lopes 
Presidente da União de Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada

Candidatou-se à liderança da União de Freguesias de Santa Marinha e S. Pedro da Afurada, em 2013, respondendo ao “desafio” de Eduardo Vítor Rodrigues, e atinge, em 2025, o número máximo de mandatos possível à frente de uma autarquia. Em entrevista ao Mundo Atual, Paulo Lopes percorre as memórias de um caminho iniciado sob “um legado de dívidas que obrigou a grande contenção”, mas que, acredita, vai terminar com alguns sonhos realizados.

 

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Salvo raras exceções, “a maior parte das dívidas” herdadas por Paulo Lopes, e segundo explicou o próprio ao Mundo Atual, “tiveram mesmo de ser pagas, com juros de mora”.

Uma realidade que “deitou por terra alguns dos sonhos” idealizados enquanto candidato à liderança das que considera “as duas mais belas freguesias de Gaia”.

“Foi um início atípico, difícil, pois essas dívidas limitaram muito a nossa ação ao longo destes nove anos. Até ao final do mandato, vamos deixar as contas todas liquidadas, o que nos orgulha, mas deixa sempre um amargo… Se não fosse esse problema, teríamos tido condições para avançar com outros projetos”, afirmou.

“As limitações financeiras e o já por si limitado orçamento das juntas de freguesia, impedem muita coisa”, de acordo com o autarca, mas não a que considera ser a “imagem de marca” da sua liderança: “Contribuir para uma melhor qualidade de vida das pessoas e a mitigação das carências económicas”.

Diz-se “focado na ajuda às pessoas e às famílias”, ideia que justifica com “várias iniciativas” desenvolvidas de apoio direto às populações: “Somos parceiros do Município no Programa de Emergência Social, uma iniciativa de louvar da Câmara Municipal, com todas as juntas de freguesia, mas temos outro programa complementar: só neste mês de outubro, disponibilizámos mais de dois mil euros em ajudas concretas, como óculos, rendas, medicamentos, cabazes alimentares ou próteses, por exemplo”.

Outra das ações que destaca é o alargamento do número de postos de enfermagem, destinado a cuidados primários de saúde que passaram de 1 para quatro: “É um apoio muito importante, pois está muito relacionado com a própria mobilidade, por estarem colocados em locais estratégicos: na junta de freguesia de São Pedro da Afurada, no Zé da Micha, no Lugar de Gaia (no Centro Cultural e Recreativo) e na Serra do Pilar (no Águia Sport Gaia)”.

“Escolas e instituições da União de Freguesias”, merecem “especial atenção” de Paulo Lopes, que com elas gosta de manter “relações de proximidade”, no sentido de melhorar o seu funcionamento.

“Limpeza, pequenas reparações, instalação de equipamentos elementares como parques infantis (que faltavam em quatro escolas) são algumas das ações que assumimos. E apoiamos também todas as instituições logística e financeiramente”.

Entre os projetos por concretizar encontra-se “um sonho” que o responsável espera ainda poder realizar até ao final do mandato: reabilitar o espaço Zé da Micha, onde funcionam já várias valências, como o Centro de Dia, a sede do Grupo Folclórico, o posto de enfermagem e o palco José Guimarães.

© Amândia Queirós | Mundo Atual

“Queríamos que funcionasse como um pólo cultural (para além da função social que já desempenha), do qual as coletividades das imediações pudessem usufruir e ali realizar atividades. O espaço carece efetivamente de uma reabilitação”, pormenorizou.

Paulo Lopes refere ainda “a falta de disponibilidade financeira”, até à data, para adquirir um miniautocarro, adequado às escolas. O que ainda rola na união de freguesias tem já mais de 18 anos.

“Fará parte do nosso plano de atividades e orçamento, pois sabemos que faz muita falta ao nosso Parque Escolar, que é muito exigente e realiza muitas atividades. É uma necessidade a que queremos dar resposta. Ainda utilizamos o antigo para deslocações de adultos nas proximidades, mas fica muito aquém das nossas necessidades”, admite.

Ao contrário do edifício da Junta na Afurada, já reabilitado no âmbito da negociação de dívida com uma das empresas, a sede da União, em Santa Marinha, “precisa de um conjunto de intervenções”.

“Gostaríamos de deslocalizar todos os serviços para o rés do chão, de modo a torná-los mais acessíveis. Há abertura da Câmara para nos apoiar, pois sem isso seria impensável avançar com um investimento que vai ultrapassar os 100 mil euros”, avança.

Pavilhão de Santa Marinha, um sonho de décadas 

O Pavilhão de Santa Marinha, adiado “há mais de duas décadas”, enquadra-se, para Paulo Lopes, no conjunto de obras que “é possível concretizar graças à cooperação do presidente da autarquia e do executivo”.

“Felizmente, ouvem, entendem e concretizam alguns dos nossos sonhos, indo de encontro às nossas preocupações e reivindicações. Outro exemplo, foi a conclusão do mercado municipal da Afurada e o da Beira Rio, em Santa Marinha, dois equipamentos fundamentais para a economia local, pois são uma marca. A reabilitação do Centro Histórico e a conclusão da respetiva circular, bem como a recuperação do Jardim do Morro, são outros exemplos de obras fundamentais realizadas pela autarquia, que vieram de encontro às nossas expectativas”, sublinha.

O Posto de Pesagem e Controlo da Afurada permite agora grande autonomia aos pescadores da Afurada, respondendo a anseios bem prologados no tempo, incluindo ainda novos armazéns e um oleão para depósito de óleos usados. É considerada pelo presidente a obra do mandato.
“De facto, a candidatura partiu de uma sugestão da Associação de Pescadores e foi a Junta de Freguesia que a elaborou, com apoio técnico do município, e que a sujeitou ao Mar 2020. Não baixámos os braços perante o primeiro indeferimento e conseguimos um apoio na ordem dos 75 por cento, tendo a outra parte recaído sobre a junta de freguesia e dos apoios da Câmara Municipal”, relembra.

Concretizadas várias sessões de esclarecimento junto da população, relativamente à possibilidade de desagregar as freguesias, Paulo Lopes não tem dúvidas de que a opção dos cidadãos será pelo regresso à organização administrativa anterior à chamada «Lei Relvas».

“Frequência do Mestrado em Direito com os olhos no futuro”

Natural da Covilhã e jurista de formação, deixou a Serra aos 24 anos para fazer parte da equipa que implementou, na Câmara de Gaia, o Centro de Informação Autárquico ao Consumidor e o Tribunal Arbitral ao Consumo, que ainda hoje funciona na Praceta 25 de Abril, onde foi sempre coordenador.

Apesar do amor que nutre pela terra natal e das saudades, não considera um regresso, por considerar que “não falta nada em Vila Nova de Gaia”.

Envolvido desde cedo nas lides políticas, integrou o executivo liderado por Fernando Peixoto, como tesoureiro, e ficou com o bichinho.

“Foi uma experiência que ficou, muito gratificante”, confessou o autarca, a que se sucedeu a liderança da seção socialista de Santa Marinha, a integração na Comissão Política Concelhia do Partido Socialista e o «comando» da bancada socialista na Assembleia Municipal, enquanto oposição. Até surgir o desafio conjunto lançado pelo atual presidente da Câmara de Gaia.

“Era evidente, para mim, que Eduardo Vítor Rodrigues tinha todas as condições para chegar à liderança da autarquia. Não só pelas suas aptidões pessoais e académicas, mas também pelas circunstâncias políticas. Não hesitei, desde a primeira obra, abraçar este projeto”, disse.

Aos 58 anos, está a frequentar um mestrado em Direito, que lhe pode abrir o caminho para o Ensino – gostaria “muito de lecionar” – e ainda não decidiu o que vai fazer daqui a três anos.

“É uma ambição. Vamos ver se a minha vida e a azáfama me vai permitir isso. Aposto mais em não ficar ligado à política, embora não diga “dessa água não beberei”, adianta ao Mundo Atual.

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