25 Outubro 2021, 15:24

APPACDM – Gaia, cuida e integra na sociedade pessoas com deficiência mental

Susana Faria AdministratorKeymaster

A integração social do cidadão com deficiência mental é a principal missão da APPACDM – Gaia. Em entrevista ao Mundo Atual, o presidente da Direção explica de que forma as equipas prestam apoio aos utentes, com o auxílio de técnicas inovadoras de relaxamento, e deixa no ar o desejo de ver alguns dos espaços serem intervencionados.

A Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental nasceu há mais de 48 anos e trabalha a área da deficiência mental, “intervindo precocemente” quando é detetado algum caso nas famílias.

A associação tem um centro de atividades ocupacionais e ainda dois lares com lotação para 12 utentes, “para quem não tem retaguarda familiar”.

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É ali, no primeiro espaço, que os jovens desenvolvem várias tarefas que promovem a sua autonomia e a integração, tendo em conta o perfil de cada utente e de acordo com um plano individual de intervenção pré-concebido.
“Os nossos utentes fazem vários tipos de trabalhos manuais em sala, com arraiolos, cerâmica e reciclagem, para estimularem o seu desenvolvimento. Os monitores vão também procurando atividades que permitam fazer com que os jovens vejam que mesmo as coisas que aparentam não ter utilidade, possam ganhar uma nova vida com a ajuda deles”, explica Joaquim Queirós, ao Mundo Atual.

Além da estimulação intelectual dos utentes, as atividades desenvolvidas pela associação servem ainda como “uma motivação extra”, uma vez que ao realizá-las, os jovens e adultos sentem-se valorizados e acolhidos na sociedade.
A Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental disponibiliza diversos serviços, como terapia da fala, terapia ocupacional e aulas natação, yoga e defesa pessoal.
“As atividades vão mudando ao longo do ano, de forma a fazer com que haja uma grande diversidade e a abranger o maior número de utentes”, frisa o dirigente.

Associação disponibiliza salas de relaxamento

As exigências de cada utente mudam consoante “o seu nível de deficiência” e há todo um cuidado redobrado para priorizar o bem-estar físico e emocional de cada um.
“Queremos mantê-los bem e relaxados. Para isso temos salas de relaxamento, denominadas de «salas snoezelen», que são apetrechadas de elementos que transmitem calma e permitem aliviar o stress”, salienta Joaquim Queirós.
A APPACDM conta com 500 pessoas ao seu cuidado, distribuídas entre os dois lares e o centro de atividades ocupacionais.
Atualmente, emprega cerca de 120 pessoas no concelho, estando, assim, entre os “grandes empregadores da cidade”.

Lista de espera com mais de 200 pessoas

“Damos apoio direto e indireto a cerca de 500 pessoas com deficiência mental. Isso implica também o apoio às famílias dos nossos utentes. Não nos limitamos a criar atividades só para eles, mas para todo o agregado”, ressalva.
A associação não conta com o apoio de voluntários, mas Joaquim Queirós assume que “fazem falta a todas as associações ligadas à ação social”.
“É evidente que se houvesse uma cultura de voluntariado nesta área, seria bom, não apenas para os voluntários terem contacto com o mundo real, mas também para as instituições que, assim, podiam poupar em recursos financeiros e utilizar esses fundos para renovar instalações criando cada vez melhores condições para utentes”, defende.
As escolas do País “não estão capacitadas para tratar e acolher pessoas com deficiência mental” e as famílias vêem-se obrigadas a recorrer às poucas associações existentes quando percebem que são incapazes de oferecer os cuidados necessários.
A associação tem cerca de 200 pessoas em lista de espera, não apenas para o centro de atividades diárias, mas também para os lares.
“Todas as semanas recebemos pedidos de acolhimento e é muito difícil satisfazermos as necessidades de quem nos procura”, concluiu.

Associação quer construir um terceiro lar residencial

Joaquim Queirós adiantou ainda, ao Mundo Atual, que um dos grandes desejos da associação, passa pela construção de um terceiro lar, até ao final do mandato da atual Direção, em 2022.
O objetivo é aumentar a capacidade de resposta e conseguir receber, pelo menos, mais 20 utentes.
“É complicado encontrar o local ideal para a construção e existem muitos constrangimentos, pois temos também de garantir que a Segurança Social vai ajudar-nos a manter esse lar”, reconhece o presidente.
Um novo lar seria essencial, uma vez que os jovens, quando terminam o ensino obrigatório, não têm para onde ir. A alternativa é ficarem em casa ou irem para a rua, “que é o pior que lhes pode acontecer”.
“Ficar em casa não é fácil, pois precisam de alguém que cuide deles e significa que perdem as rotinas e é um retrocesso na sua evolução física e mental. Para os cuidadores é também um trabalho acrescido”, frisa.
Enquanto a construção de um terceiro lar fica no papel, a associação está já a avançar com o projeto de renovação do edifício da sede, que tem vários anos e encontra-se “bastante degradado”
“Concorremos ao apoio «PARES 3.0» para conseguirmos recuperar a sede. O projeto está orçado em 300 mil euros, sendo que gastámos 120 mil no restauro do telhado do edifício”, revela o dirigente.

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