24 Maio 2022, 04:07

“Aqui tenho conseguido alcançar todos os meus objetivos” – Hélder Freire

Marta Almeida Carvalho AdministratorKeymaster

Há 12 anos a viver em Genebra, Suíça, Hélder Freire partiu, em 2010, à procura de melhores condições de trabalho, numa altura em que se vivia uma grave crise económica em Portugal. Decidido a procurar uma vida melhor, partiu de Vagos (Aveiro), juntamente com a mulher, Carla, completamente “às escuras”. Sem emprego, o casal levava na mala, unicamente, esperança. Por lá, adicionaram à família um filho, o Santiago, que por conviver com as duas línguas – o português e o francês – “ainda as mistura”. Hélder é ladrilhador e leva, atualmente, uma vida bastante confortável, junto da mulher, do filho e do cão, Nico, cuja presença nas redes sociais já se tornou viral. Por viverem “numa das cidades mais caras do mundo” tornaram-se mais caseiros. No entanto, a compensação económica é grande, relativamente a Portugal. “Aqui, o nível de vida é diferente. Ganhamos mais e podemos usufruir de bens aos quais nunca teríamos acesso com os ordenados do nosso país”. O regresso a Portugal está agendado mas só para quando se reformar.

Porque decidiu emigrar?
Emigrei em 2010, numa altura em que existia uma enorme crise no setor da construção. Estava desempregado e decidimos fazê-lo, eu e a minha mulher. Já estávamos casados e ela já cá tinha estado. O facto de termos cá familiares também impulsionou essa decisão.

Como tem sido a experiência na Suíça?
Tem sido muito boa, não nos podemos queixar. Integramo-nos bem e arranjamos logo emprego. Estou a trabalhar na mesma empresa, praticamente desde que cheguei, e onde tenho muito bom ambiente profissional. Também gostamos muito da cidade. Aqui temos conseguido alcançar, a todos os níveis, os nossos objetivos de vida. O nosso filho nasceu cá e está a ser educado da mesma forma que o faria em Portugal. O único inconveniente é quando algum de nós está doente, não temos uma avó ou uma tia para ajudar. Nessas alturas, por vezes, desesperamos. Tivemos de contratar uma senhora para dar uma ajuda, já que não podemos estar sempre a faltar.
Para o Santiago, o mais complicado é gerir ambas as línguas. Na creche fala sempre em francês e, por vezes, em casa, mistura-as. Insistimos com ele para que fale em português e ele fala e compreende tudo, mas sente-se mais confortável com o francês. No entanto, adora ver desenhos animados em português.

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Como se vive aí esta pandemia?
Atualmente, já está tudo normalizado, todas as restrições foram levantadas. Embora, ultimamente, o número de casos tenha vindo a aumentar, a Confederação [Suíça] não se mostra preocupada.

Quais os maiores desafios pessoais e profissionais?
A barreira da língua e o facto de ter «começado do zero» foram os grandes desafios. Quando cheguei, comecei a trabalhar à experiência na empresa onde ainda estou e onde sou chefe de equipa. O meu patrão é português e, sem me conhecer de lado nenhum, deu-me trabalho e arranjou-nos um apartamento, onde só tínhamos um fogão. Até receber o primeiro ordenado comíamos em cima das malas de viagem, com a tábua de um armário a servir de mesa. Tudo o que tenho devo-o a ele. Estou bem a nível profissional, sou bem pago. O trabalho aqui é muito exigente pois existe um grande controlo a nível de segurança, ao contrário do que acontece em Portugal. O facto de não saber uma só palavra em francês foi um entrave que acabamos por ultrapassar.
Genebra é uma cidade equiparada a Coimbra mas com o quadruplo da população mas, apesar da multiplicidade de nacionalidades, nunca me senti descriminado.
Por aqui encontram-se muitos portugueses, embora não saiba quantos em Genebra. Sei que que somos cerca de 260 mil a nível nacional.
Normalmente os suíços gostam dos portugueses porque somos trabalhadores e não nos metemos em confusões. É uma comunidade muito bem vista.

Como se gere o facto de estar longe da família e dos amigos?
Ao início foi muito complicado, pensei várias vezes em regressar a Portugal, mas depressa essa saudade se tornou mais «leve». Podemos falar e ver os nossos familiares e amigos através de Messenger, Skype e WhatsApp. Estão «longe da vista mas perto do nosso coração». O facto de nós os quatro sermos muito unidos, atenua um pouco as saudades.

Do que sente mais falta?
Definitivamente o que me faz mais falta é o mar, a praia e o sol. Não há nada como o «nosso» sol.

Vem a Portugal com que frequência (ou vinha antes da pandemia)?
Desde que temos o nosso cão, o Nico, vamos menos vezes. Uma a duas vezes por ano. Quando éramos só os dois, viajávamos de dois em dois meses. Durante o período mais apertado da pandemia, adiamos viagens por três vezes e já estivemos dois anos seguidos sem ir ao nosso país. Atualmente, desde há sete meses que não vamos.

Está nos seus planos regressar, definitivamente a Portugal?
Claro que gostava de regressar, um dia. No entanto vou deixar essa decisão para mais tarde. O meu filho já nasceu aqui e, quando eu estiver próximo da reforma, ele ainda será um jovem .

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