14 Maio 2022, 23:01

Atividade sismovulcânica em São Jorge com decréscimo desde o início do mês

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Ponta Delgada, Açores, 28 abr 2022 (Lusa) — A atividade sismovulcânica em São Jorge, Açores, regista desde o início do mês um “decréscimo na energia libertada” e no número de eventos, tendo sido contabilizados 30.704 sismos desde o início da crise, avançou hoje a Proteção Civil.


No ‘briefing’ para atualização da situação sismovulcânica, nas Velas, em São Jorge, o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), Eduardo Faria, indicou que já foram contabilizados 30.704 sismos desde o início da crise, a 19 de março, dos quais 262 foram sentidos pela população.


“Esta tendência mantém-se praticamente desde o início do mês de abril: um decréscimo na energia libertada e também na frequência dos eventos”, realçou.


Na terça-feira foram registados 190 sismos (dois sentidos pela população) e na quarta-feira identificados 98 eventos (dois sentidos), acrescentou.


As ocorrências continuam a localizar-se entre os 7,5 e os 12 quilómetros de profundidade.


“Entre as 00:00 horas e as 10:00 da manhã [de hoje] foram registados 26 sismos, nenhum deles sentidos. Eventualmente esta baixa entre as 00:00 e as 10:00 poderá ter a ver com o mau tempo que se fez sentir durante a madrugada e manhã”, assinalou.


O brigadeiro-general acrescentou que os equipamentos que se encontram no terreno para monitorizar a crise sismovulcânica estão “100% operativos” e destacou que não existiram “alterações na geoquímica de gases e de água nas últimas 42 horas”.


Face ao aviso laranja previsto para São Jorge devido à chuva forte, a Proteção Civil recomenda “às pessoas para não transitar em locais com alguma perigosidade”.


O acesso às fajãs do concelho de Velas não deverá ser proibido, tal como aconteceu a 25 de março, devido à sismicidade e ao mau tempo.


“Nesta altura, com o número de sismos que se está a registar e a baixa magnitude, a preocupação não será tanta [como foi a 25 de março]. No entanto, recomendamos sempre às pessoas que, ao deslocarem-se para as fajãs, tenham precaução”, afirmou.


O grupo central dos Açores, composto pelas ilhas de São Jorge, Faial, Pico, Graciosa e Terceira, está com um aviso laranja devido à chuva, que vai vigorar entre 10:45 e as 21:00 de hoje.


A ilha de São Jorge tem mais de sete dezenas de fajãs – pequenas planícies junto ao mar que tiveram origem em desabamentos de terras ou lava — que são, desde 2016, Reserva da Biosfera da UNESCO — Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura e dos locais mais procurados pelos turistas.


A ilha mantém o nível de alerta vulcânico V4 (ameaça de erupção) de um total de sete, em que V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”.


O sismo de maior magnitude (3,8 na escala de Richter) desde o início da crise ocorreu no dia 29 de março, às 21:56.


De acordo com a escala de Richter, os sismos são classificados segundo a sua magnitude como micro (menos de 2,0), muito pequenos (2,0-2,9), pequenos (3,0-3,9), ligeiros (4,0-4,9), moderados (5,0-5,9), forte (6,0-6,9), grandes (7,0-7,9), importantes (8,0-8,9), excecionais (9,0-9,9) e extremos (quando superior a 10).


A escala de Mercalli Modificada mede os “graus de intensidade e respetiva descrição” e, quando há uma intensidade III, considerada fraca, o abalo é “sentido dentro de casa” e “os objetos pendentes baloiçam”, sentindo-se uma “vibração semelhante à provocada pela passagem de veículos pesados”, descreve-se no ‘site’ do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).



RPYP // ACG


Lusa/Fim

Sem comentários

deixar um comentário