22 Janeiro 2023, 10:06

Aumento dos preços na Guiné-Bissau é conjuntural — associação de importadores

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Bissau, 12 abr 2022 (Lusa) — O presidente da Associação Nacional dos Importadores e Exportadores da Guiné-Bissau, Mamadu Jamanca, considerou hoje que o aumento dos preços dos produtos é conjuntural, mas o país está muito exposto a qualquer mexida nos preços porque importa tudo.


“Estamos perante uma questão conjuntural, que infelizmente não está sob nosso controlo. A Guiné-Bissau sendo um país pobre, um país pequeno, e tendo em conta a questão conjuntural, é um país vulnerável e torna-se muito exposto a sentir qualquer mexida no aumento dos produtos”, afirmou Mamadu Jamanca, quando questionado pela Lusa sobre o aumento dos preços no país.


Desde o início da pandemia, que a Guiné-Bissau tem registado um enorme aumento dos preços, com especial incidência nos últimos meses.


Mamadu Jamanca responsabiliza as autoridades guineenses que ao longo dos anos não apostaram no país, mantendo apenas a retórica de que a Guiné-Bissau é promissora e com muitas possibilidades.


“Os governantes têm de mudar as políticas de importação e começar a apostar e a investir na produção local dos produtos da cesta básica. Felizmente, a Guiné-Bissau tem uma impressionante capacidade de terra arável e temos muito a aproveitar”, disse.


Mamadu Jamanca explicou que a solução passa por “investir para mecanizar a agricultura, a pesca e as indústrias de processamento de produtos locais”.


O presidente da Associação Nacional de Importadores e Exportadores da Guiné-Bissau explicou que o aumento dos preços se deve à pandemia da covid-19, à crise no preço dos combustíveis e à guerra na Ucrânia.


Segundo Mamadu Jamanca, os confinamentos provocaram uma queda de produção, os estoques baixaram e a procura aumentou.


“Quando o custo de produção aumenta, o custo do produto aumenta. É exatamente o que se está a viver no mundo, não só na Guiné-Bissau”, salientou.


Mamadu Jamanca disse que foram feitos alertas ao Governo para encontrar “soluções locais para fazer face às circunstâncias”.


“O país importa tudo e mais alguma coisa e não se dá ao trabalho de produzir para fazer face a este tipo de fenómenos”, disse, recordando que o aumento dos preços dos combustíveis teve um impacto nos custos dos transportes marítimos.


Sobre a recente guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o presidente da Associação Nacional de Importadores e Exportadores disse que já se está a fazer sentir, uma vez que a Ucrânia é um dos maiores produtores mundiais de trigo e de girassol.


“A Guiné-Bissau não tem diretamente relação comercial com a Ucrânia, mas importa indiretamente produtos vindo lá, como óleo alimentar e farinha de trigo, podem vir de outro país, mas a matéria-prima veio da Ucrânia. Tem um impacto brutal na vida económica e social na Guiné-Bissau e temos de nos precaver para fazer face a esta circunstância”, advertiu.



MSE // VM


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