19 Setembro 2021, 12:02

Autárquicas: PSD/Gaia acusa Oliveira de “falta de caráter” e admite danos para o partido

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

O presidente do PSD de Vila Nova de Gaia acusou hoje o ex-selecionador nacional António Oliveira, que na sexta-feira desistiu da candidatura às eleições autárquicas, de “falta de caráter”, admitindo que esta situação “tem consequências para o PSD”.

“O putativo ex-candidato foi vítima da sua própria narrativa. Ainda na sexta-feira passada, de forma premeditada, ao mesmo tempo que prometia pessoalmente a Rui Rio ponderar as condições para continuar como candidato, promovia sem aviso prévio a divulgação de uma carta aberta, à comunicação social, para dar o dito pelo não dito. Uma absoluta falta de caráter. Um lamentável ato de hipocrisia”, disse Cancela Moura.

O líder da concelhia do PSD de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, falava aos jornalistas em conferência de imprensa para reagir à decisão de António Oliveira de desistir da candidatura à autarquia local, uma candidatura anunciada pelo próprio presidente do PSD, Rui Rio, em 23 de março, e que contava com o apoio do CDS-PP e do PPM.

Na sexta-feira, numa carta aberta à qual a Lusa teve acesso, António Oliveira referiu que desistiu da corrida às eleições autárquicas por “uma questão de higiene”, recusando pôr os “interesses de uns personagens” à frente dos interesses da população.

“Hoje, com vergonha do que vi, com uma imensa dor de alma pelo que senti, tenho que dizer que: não quero, não posso e não aceito continuar a encabeçar esta candidatura. Isto não é uma desistência. Isto é uma questão de higiene. Uma recusa de pôr os interesses de uns personagens à frente dos interesses dos 300.000 gaienses e pessoas que escolheram este grande concelho para fazer a sua vida”, referia o ex-selecionador nacional na missiva.

Sobre este documento, Cancela Moura disse que esta carta mostra que em causa não está uma desistência, mas sim “uma falta de comparência”.

“[António Oliveira] nunca deu a cara pela coligação, não apresentou uma única ideia, nunca partilhou uma única proposta, nunca mostrou uma visão para Gaia e a única declaração que lhe conhecemos como candidato foi para dizer que desistia, e, mesmo assim, através de um documento sem assinatura, que enviou para as redações”, referiu o líder do PSD/Gaia, que já na fase de perguntas acusou Oliveira de ter “tiques de ditador”.

“Há coisas que temos vergonha de divulgar publicamente. Temos tudo documentado. Temos horas, dias, factos”, acrescentou.

Cancela Moura, que falava ao lado do presidente da distrital do PSD do Porto, bem como de representantes do CDS-PP e do PPM e com os 15 candidatos a presidentes de Junta de Freguesia presentes na sala, admitiu que esta situação terá consequências para o partido e para uma futura candidatura às eleições autárquicas que decorrem este ano.

“Sabemos que isto tem consequências que são negativas para o PSD, mas a culpa não é nossa. Temos de assumir isto como um percalço do nosso percurso. Lamentar profundamente que o partido tenha estado disponível (…). Quero dizer que partilhávamos esta decisão com o doutor Rui Rio: acreditávamos na notoriedade de uma figura como António Oliveira (…). Não nos culpem mais por um imbróglio deste tamanho. Sentimos vergonha alheia desta situação”, referiu.

Sobre esta matéria, o presidente da distrital do PSD/Porto, Alberto Machado, foi mais otimista: “Julgo que os gaienses saberão olhar para isto (…) e perceber que o PSD acabou por cair aqui num problema do qual não foi causador. A penalização eleitoral não será tão grande quanto isso. As pessoas não são burras e saberão colocar no sítio certo a responsabilidade de todo este processo”.

Questionados sobre para quando o anúncio de um novo candidato, ambos remeteram a decisão “para as próximas semanas”, com Cancela Moura a recusar responder sobre se está disponível para encabeçar a candidatura.

“É precipitado avançar agora com qualquer decisão”, frisou.

Na sessão, Cancela Moura também referiu que a desistência de António Oliveira “foi o melhor que [o ex-selecionador nacional] poderia ter feito a Gaia” e disse que “Rui Rio foi surpreendido com esta renúncia”, mas escusou-se a responder a perguntas sobre a condução do processo por parte do líder do partido.

A agência Lusa tentou hoje obter uma reação junto de António Oliveira, mas sem sucesso.

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