04 Julho 2022, 18:58

Autoridades da Ossétia do Sul anunciam referendo sobre integração na Rússia

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Moscovo, 13 mai 2022 (Lusa) — As autoridades da região separatista da Ossétia do Sul situada na Geórgia, ex-república soviética do Cáucaso do Sul, anunciaram hoje que vão organizar em 17 de julho um referendo sobre a integração na Rússia.


O presidente da autoproclamada região, Anatoli Bibilov, “assinou um decreto sobre a realização de um referendo na república da Ossétia do Sul”, indicou o seu gabinete em comunicado, ao evocar “a aspiração histórica” dos habitantes desta zona da Geórgia de se juntarem à Rússia, país com que a partilham a fronteira.


Em paralelo, o novo líder da região separatista, Alan Gagloyev, anunciou que coordenará com o Kremlin a convocatória do referendo.


“Logo que recebamos o sinal, e entendermos que chegou a hora, esse referendo será celebrado com segurança”, assinalou à agência noticiosa Tass.


Gagloyev, que derrotou o presidente cessante Bibliov na segunda volta das eleições na região, sublinhou que a consulta popular para a integração na Rússia não depende apenas do sul-ossetas, mas também da situação geopolítica internacional.


“Não se trata da unificação, mas do mecanismo para a concretizar. Entendemos perfeitamente que esta situação não depende apenas da Ossétia do sul. Nestes assuntos, há que considerar cada um dos passos”, assinalou.


O mesmo responsável também aludiu à difícil posição em que se encontra “a Rússia, aliado estratégico”, que “conduz uma operação especial na Ucrânia para a eliminação das formações neonazis”.


Recentemente, Bibliov assegurou à agência noticiosa Efe que a Ossétia do Sul pretendia convocar um referendo sobre a integração na Rússia, e que “a Rússia é a pátria histórica de todos os ossetas”.


“O referendo não será uma complicação, já que mostrará ao mundo que estamos com a Rússia. E em particular agora, quando muitos países, incluindo grandes potências, lhe viraram as costas”, explicou.


A Ossétia do Sul, cuja independência foi reconhecida pelo Kremlin em agosto de 2008 após uma guerra com a Geórgia, optou por não promover a integração quando a Rússia anexou a península da Crimeia em 2014.


Desde 2008 que o território é um protetorado russo, onde Moscovo possui uma base militar e cujo orçamento depende em 90% dos cofres da Rússia.


“Apoia a unificação entre a Ossétia do Sul e a Rússia?”, esta a pergunta a que cerca de 50.000 ossetas deverão responder.


Enquanto a Geórgia considera o referendo ilegítimo, o Kremlin disse que respeitará a vontade do povo sul-osseta.


Após integrar a Federação russa, o próximo passo seria a unificação com a república russa da Ossétia do Norte numa única entidade federal”.



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