06 Dezembro 2022, 20:00

Biblioteca “é lugar de igualdade” e “geradora de comunidade” – Ministro da Cultura na inauguração da Biblioteca Municipal de Gaia

Filipa Júlio Administrator

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O ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, presidiu, esta tarde, à inauguração da requalificada Biblioteca Municipal de Gaia. O investimento de 1,3 milhões de euros traz uma nova vida ao equipamento, situado em Mafamude, que, há um ano e meio, se apresentava em condições já muito débeis.

“Um equipamento de igualdade”, considerou o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, “um lugar onde se criam comunidades, através dos livros”, acrescentou o ministro da cultura.

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Com respeito pela infraestrutura original, e sem alterações de fundo aos espaços pré-existentes, a intervenção recorreu a materiais como a madeira, para dividir espaços, na linha de requalificações como a ocorrida no auditório municipal, por exemplo, e a um jogo de cores discretas, a tirar o máximo proveito da luz natural. Por contraste, a sala de exposições distingue-se pela ousadia, embora sóbria, a fazer sobressair, neste caso, os exemplares de livros antigos do espólio da Biblioteca.

“A Biblioteca nunca é apenas património ou repositório de história. Os livros são mesmo essenciais, porque criam comunidade. Poucas coisas o fazem como os livros. As bibliotecas são um lugar onde nos encontramos uns com os outros, de diálogo e partilha. Nunca estão desatualizadas, porque todas as leituras têm o seu próprio tempo”, afirmou Pedro Adão e Silva.

O equipamento contempla uma sala multiusos no rés-do-chão, com capacidade de abertura para o jardim e que pode ser mesmo estendida para o exterior, com recurso a um deck, estando equipada com aparelhos de som e tela embutida no teto.

Um espaço com máquina de «vending» e café, loja de venda de publicações e artigos municipais e posto de informação são outros dos elementos presentes logo à entrada, onde também facilmente se distingue a Sala de Exposições, com os seus antigos pilares e vigas cobertos com gesso cartonado.
No piso superior, mantém-se a Sala de Leitura, agora dotada com maior confronto térmico e iluminação adequada à Leitura.
Há obras de Arte devidamente distribuídas e acauteladas, em termos de segurança.

Eduardo Vítor Rodrigues sublinhou haver uma explicação para que o “reforço do seu espólio ou a multiplicação em polos” ainda não ter acontecido:

“Este equipamento foi durante largos anos gerido por uma empresa municipal (Gaianima) que geria melhor os interesses dos seus administradores do que os interesses dos equipamentos dos quais eram responsáveis. O espaço era muito utilizado, mas as suas condições estavam ultrapassadas. É o que tem acontecido com muitos equipamentos dessa altura. Só se mantém a estrutura. E para nós é tão importante começar algo de raiz como cuidar do que existe”.

Lembrando que o município de Gaia é o terceiro maior do País, a seguir a Lisboa e Sintra, em termos de população, o autarca defendeu que uma Biblioteca Municipal tem de ser descentralizada em pólos, “que progressivamente vão crescendo e ganhando importância no terreno”.

“A biblioteca também é compatível com a coesão social. Inclui a digitalização, a informação e papel, mas tem também um papel social. Permite que alunos que não tenham em casa o seu cantinho do estudo ou acesso aos livros, possam aqui usufruir de uma espécie de equipamento de igualdade, de acesso igualitário”, considerou.

Cacifos, espaço central para referenciação bibliográfica e possibilidade de fotocopiar ou digitalizar estão incluídos entre “os elementos modernistas do edifício, tal como a escada helicoidal e escada em caracol internas, renovados e valorizados”, lê-se na descrição, que acrescenta:

“O edifício modernista recupera a sua imagem original com a reposição do desenho da sua anterior caixilharia geométrica – antigos grandes quadrados dos anos 70, agora dotados de vidro duplo e conforto térmico. Os novos grandes panos em vidro evidenciam as grandes vigas horizontais em betão, características da sua imagem moderna e brutalista (movimento arquitetónico de valorização do betão armado)”.

Da história deste equipamento, sabe-se que foi criado em 1933 a partir de um pequeno núcleo de livros, património de uma «Biblioteca Popular», tendo ocupado diversas instalações até à inauguração do atual edifício principal em 1979, então composto por um corpo de três pisos destinado à Biblioteca Municipal com as suas diversas valências e um corpo de um único piso designado como Museu Etnográfico. Construído de raiz pelo Município, o edifício foi projetado pelo Arquiteto Lobato Guimarães em 1972, com uma linguagem arquitetónica modernista.

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