09 Dezembro 2021, 04:25

Cabo Verde/Eleições: Votação “normal” na Embaixada em Lisboa

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

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Lisboa, 17 out 2021 (Lusa) — Eleitores cabo-verdianos residentes em Portugal chegavam hoje, ao início da tarde, ‘a conta-gotas’ à Embaixada de Cabo Verde em Lisboa para votar nas presidenciais deste país, um cenário considerado “normal” pelo embaixador Eurico Correia Monteiro.


Segundo o embaixador, o ritmo de votação para as eleições presidenciais de Cabo Verde, que hoje decorrem, era o normal em comparação com outras eleições anteriores, embora fosse esperada “eventualmente uma maior participação, porque há vários candidatos e a campanha foi mais intensa”, o que costuma ser “um estímulo acrescido para as pessoas irem votar”.


Sem filas, votar na Embaixada era muito rápido e poucos foram os que se cruzaram com compatriotas e ainda menos os que se demoraram em conversas.


São cerca de 18.000 os cabo-verdianos que podem votar em Portugal, em 64 mesas de voto por todo o país, 80% dos quais residentes em municípios da Área Metropolitana de Lisboa.


Um deles é João de Barros, que faz questão de votar sempre, tanto nas eleições para Cabo Verde como nas eleições portuguesas, já que também é português.


“Voto em todas por respeito aos nossos antepassados, que lutaram pelo voto. Eu sou desse tempo. Na minha terra não podíamos votar. Cheguei aqui antes do 25 de Abril e também não podíamos votar. Basta isso para eu votar sempre”, disse à Lusa.


João de Barros vive em Portugal há 49 anos, tem família cá e também lá, incluindo a sua mãe, de 98 anos, que está à espera de um abraço do filho desde o início da pandemia, o que — assegurou à Lusa – pode estar para breve.


“Cabo Verde tem futuro. Estamos numa encruzilhada. Temos um Governo que neste momento não corresponde àquilo que prometeu, foi reeleito, tem mandato para cumprir. Espero que haja um Presidente que seja um Presidente capaz, de facto, de equilibrar a balança”, considerou.


Fátima Leão também não deixa de exercer o seu direito de votar sempre que há eleições para a sua terra. Veio estudar para Portugal em 1967 e ficou a trabalhar por cá a vida toda, apesar de ir com regularidade a Cabo Verde, onde tem uma casa e familiares.


“A minha intenção era ir viver a reforma na minha terra, porque de facto aquilo é como vocês aqui. Têm ‘a’ terra. Nós vamos a Cabo Verde e sentimo-nos na terra”, afirmou, salientando que irá a Cabo Verde em novembro, mas agora já não sabe quando voltará de vez, porque tem um filho a viver em Portugal.


Fátima Leão considera que o seu país tem ainda um problema de pobreza, mas “felizmente uma boa governação, com gente com bastante cabeça e bastante tino, o que não acontece noutros países da África, designadamente de expressão portuguesa”.


“Portanto, a corrupção afeta-nos menos. Não quer dizer que em Cabo Verde não exista, mas é tudo mais ‘soft’. Mas há muita pobreza, mesmo assim”, sublinhou.


Para o embaixador Eurico Monteiro, seja qual for o resultado da votação de hoje, estas serão “mais uma referência de eleições livres, democráticas, justas, transparentes, sem quaisquer incidentes de gravidade em Portugal”.


“Em Cabo Verde, felizmente, sejam quais forem os resultados, o sistema já é um sistema consolidado e, portanto, não estará seguramente em causa o normal funcionamento das instituições e o normal funcionamento da nossa democracia, que é uma democracia de base fundamentalmente parlamentar, sem qualquer desconsideração para o papel relevante, muito importante, do Presidente da República como moderador e como o árbitro do sistema”, afirmou.


A estas eleições presidenciais apresentam-se sete candidatos – um recorde histórico — e, caso nenhum obtenha a maioria absoluta, os dois mais votados disputam uma segunda volta, já agendada para 31 de outubro.


As mesas de voto para as eleições presidenciais em Cabo Verde abriram hoje depois das 07:00 locais (09:00 em Lisboa), embora algumas com atraso devido a questões logísticas, constatou a Lusa na cidade de Praia.


São cerca de 398 mil os eleitores cabo-verdianos chamados a decidir estas presidenciais, dos quais 56 mil na diáspora.


A admissão de eleitores pelas assembleias de voto decorre até às 18:00 (20:00 em Lisboa).


 


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