24 Setembro 2021, 09:12

Câmara fecha ano de 2020 com saldo positivo de 3,7 ME

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A Câmara de Gaia aprovou hoje, por maioria – com os votos contra dos vereadores do PSD – o relatório de atividades e as contas de gerência relativas ao ano de 2020.

A autarquia, liderada por Eduardo Vítor Rodrigues, fechou o ano com um saldo positivo de 3,7 milhões de euros e com um passivo de 92,5 milhões de euros.

Relativamente ao ano de 2019, cujo resultado líquido rondava os 10 milhões de euros, o decréscimo foi justificado com os investimentos realizados devido à pandemia da covid-19, assim como à quebra de receita e ao aumento da despesa.

“Temos menos 207 milhões de euros de dívidas, menos 290 milhões de euros de passivo e zero euros de pagamentos em atraso”, frisou Eduardo Vítor Rodrigues, acrescentando: “Temos ainda o maior volume de investimento em obras de exterior (rua) alguma vez existente e o maior volume de investimento imaterial”.

“Por isso temos um relativo orgulho destas contas”, indicou o autarca, revelando ainda que Gaia surge no Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses colocado nos “melhores patamares de estabilidade económico-financeira”.

Na apresentação do documento, o autarca começou por dar conta do facto de o município ter conseguido fazer “o inventário do património” do concelho, um “trabalho estonteante” de largos meses, mas que permite “encerrar o mandato com um documento que elenca todo o património possui”.

“Um documento que acaba por ser mais importante e mais estruturante para o município do que as contas porque é o legado de Gaia que está em causa”, defendeu.

PSD frisa “eleitoralismo” no investimento

Os vereadores eleitos pelo PSD votaram contra o relatório, um documento onde, defendem, “se constata que grande parte das obras, projetos e investimentos não reportam ao período em análise, nem respondem às questões que muito preocupam os gaienses e que deveriam ter sido resolvidas pela Câmara de Gaia e não foram”.

Pela voz de Cancela Moura, o partido elenca obras que não avançaram como os auditórios de Oliveira do Douro, Gulpilhares e Olival”, a “Igreja da Afurada” ou o “Centro de Congressos de Gaia”.

O “PS privilegiou claramente a despesa corrente em detrimento do investimento, renomeando até como boa despesa o aumento das despesas de funcionamento e com pessoal, alimentando-a obviamente com uma carga fiscal excessiva, de que é exemplo paradigmático o IMI [Imposto Municipal sobre Imóveis]”.

Na resposta, Eduardo Vítor Rodrigues referiu que “o aumento da receita não tem a ver com mais impostos e taxas” mas pelo facto de a economia ter melhorado.

“Não foi a esmifrar o bolso dos cidadãos. É evidente que, se somos o terceiro município em habitantes, somos dos com mais receita. O PS extinguiu a taxa das rampas e de Proteção Civil que o PSD criou e reduziu o IMI vários anos. Quando tomei posse em 2013, esta Câmara estava tecnicamente falida com 300 milhões de dívidas”, recordou.

O autarca explicou ainda que nos últimos oito anos foram admitidos 282 novos funcionários, fruto dos recrutamentos para os Bombeiros Sapadores, para a Polícia Municipal, e da “aposta” na área da Educação.

A oposição acusou ainda o Executivo de “eleitoralismo” citando um estudo recente que dá conta que a autarquia prevê “para 2021 um investimento que ultrapassa os 87 milhões de euros, quando a média dos três anos anteriores foi apenas de 48 milhões”.

O autarca refutou as acusações porque não está “preocupado em fazer inaugurações” e porque todas as “obras que avancem em outubro já estão pagas”.

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