26 Janeiro 2022, 19:29

Cazaquistão: EUA e ONU apelam a “resolução pacífica” da crise

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Washington, 06 jan 2022 (Lusa) — O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, pediu hoje ao seu homólogo cazaque, Mukhtar Tileuberdi, uma “resolução pacífica” da crise provocada pelos protestos sem precedentes no Cazaquistão.


No decurso de um contacto telefónico, “o secretário de Estado reiterou o pleno apoio dos Estados Unidos às instituições constitucionais e à liberdade dos ‘media’ e defendeu uma resolução pacífica e respeitadora dos direitos humanos face à crise”, indicou em comunicado o seu porta-voz, Ned Price.


De acordo com a nota, Blinken comunicou a Tileuberdi que a estabilidade europeia constitui uma “prioridade” para Washington, e inclui o apoio norte-americano à soberania e integridade territorial da Ucrânia “em resposta à agressão russa”.


Em Genebra, a responsável da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, também apelou às partes em conflito no Cazaquistão que se “abstenham de toda a violência”, e pugnou por uma “resolução pacífica”.


“As pessoas têm o direito de se manifestar pacificamente e de se exprimirem livremente. Por outro lado, os manifestantes, independentemente da sua cor política ou do seu descontentamento, não devem recorrer à violência”, indicou em comunicado, onde também solicita a libertação das pessoas “detidas unicamente por terem exercido o seu direito de se manifestarem pacificamente”.


De acordo com diversas agências noticiosas russas, que citam o Ministério do Interior cazaque, pelo menos 18 membros das forças de segurança foram mortos e 748 feridos nos tumultos que decorrem desde domingo.


Um anterior balanço referia-se a 13 mortos e 353 feridos nas fileiras das forças de segurança.


Segundo a mesma fonte, foram detidas pelo menos 2.298 pessoas envolvidas nos protestos.


“A situação é mais difícil em Almaty, onde elementos armados se apoderaram das instalações de diversas instituições, organizações financeiras e cadeias de televisão, que foram parcialmente destruídas”, declarou o Ministério do Interior cazaque, citado pelas agências noticiosas russas.


“Estradas e uma linha de caminho de ferro também foram bloqueadas”, acrescentou.


O Cazaquistão, o maior país da Ásia central, regista há vários dias massivos protestos que se iniciaram com manifestações após o anúncio do aumento dos preços do gás, e degeneraram em tumultos incontroláveis.


Em Almaty (sudeste), a maior cidade do país, os manifestantes atacaram e incendiaram edifícios oficiais, incluindo a câmara municipal e a residência presidencial.


As forças de segurança responderam com disparos de balas reais. Segundo as autoridades, “dezenas” de pessoas foram mortas e mais de mil ficaram feridas.


O Cazaquistão, com o apoio da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), uma aliança militar que agrupa seis ex-repúblicas soviéticas, incluindo a Rússia, procura pôr termo aos distúrbios, que implicaram a declaração do estado de emergência no país pelo Presidente Kassym-Jomart Tokayev.


Com cerca de 18 milhões de habitantes, o Cazaquistão está a viver os protestos de rua mais graves desde que conquistou a independência, há três décadas.


A antiga república soviética da Ásia Central vende a maior parte das suas exportações de petróleo à China e é um aliado estratégico da Rússia, dois países seus vizinhos.



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