14 Maio 2022, 16:30

CEDEAO doa 10 mil toneladas de alimentos ao Burkina Faso

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Ouagadougou, 29 abr 2022 (Lusa) – A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) doou 10.000 toneladas de alimentos ao Burkina Faso, suspenso da organização desde o golpe militar de janeiro, sinal segundo o governo do país de que está numa “dinâmica de acompanhamento”.


A CEDEAO “apoiou-nos e continua a fazê-lo, particularmente a nível humanitário com o envio de 10.000 toneladas de alimentos”, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros, Olivia Rouamba,


“Os chefes de Estado da CEDEAO estão numa dinâmica de apoio ao Burkina Faso e não numa postura de sanção” porque estão “preocupados com o futuro” do país que, acrescentou a ministra, não está a “desafiar a CEDEAO”.


O Burkina Faso foi suspenso da CEDEAO na sequência do golpe de Estado que levou o tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba ao poder no final de janeiro.


A junta militar no poder estabeleceu um período de transição de três anos antes de realizar eleições, mas a CEDEAO quer que esse período seja reduzido.


No final de março, a CEDEAO pediu ao Burkina Faso que apresentasse até 25 de abril um novo cronograma “razoável” para a transição, mas Ouagadougou pediu um adiamento adicional.


A duração do período de transição “não pode ser imposta enquanto do lado militar, político e humanitário, as missões de avaliação não vão ao terreno para fazer um balanço da situação” vigente, considerou Rouamba.


O Burkina Faso está enredado desde 2015 numa espiral de violência atribuída a movimentos extremistas islâmicos armados, ligados à Al-Qaida e ao grupo Estado Islâmico, que provocaram mais de 2.000 mortos e 1,8 milhão de deslocados.


Na quarta-feira, a CEDEAO anunciou o envio de uma missão ao Burkina Faso antes de uma próxima cimeira de chefes de Estado da organização.


“Esta missão poderá possivelmente avaliar a situação de segurança, a impossibilidade devido à insegurança de realizar eleições num curto período de tempo e permitir à CEDEAO avaliar melhor a duração de três anos decidida por consenso pelas forças vivas e que é totalmente razoável “, disse uma fonte diplomática, citada pela agência France-Presse.


De acordo com Rouamba, o “Burkina Faso é um caso bastante especial, pois está nas garras de uma tripla crise de segurança, humanitária e alimentar muito exacerbada”.


O tenente-coronel Damiba derrubou o Presidente Roch Marc Christian Kaboré, acusado de não ter conseguido conter a violência extremista islâmica e fez da restauração da segurança uma “prioridade”.



EL // LFS


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