22 Maio 2022, 23:20

CEO da EDP recusa “aproveitamento” e diz que não há qualquer “lucro extraordinário”

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Redação, 05 mai 2022 (Lusa) — O presidente executivo (CEO) da EDP, Miguel Stilwell d’Andrade, garantiu que “não há qualquer aproveitamento” do contexto atual de preços elevados da energia, apontando os prejuízos da empresa no primeiro trimestre e reiterando que não há qualquer “lucro extraordinário”.


“Claramente não há qualquer tipo de aproveitamento por parte das ‘utilities'”, destacou, em declarações à Lusa, indicando que a empresa absorveu “os impactos”, “até com prejuízo”.


“Os factos são os que são, não há qualquer tipo de lucro extraordinário, pelo contrário”, garantiu, questionado sobre a possibilidade de aplicação de um imposto por lucros extraordinários, admitido pelo Governo.


Numa nota, hoje divulgada na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a EDP referiu que o seu desempenho financeiro “no primeiro trimestre de 2022 foi fortemente impactado pela seca extrema em Portugal no inverno 2021/2022, o mais seco dos últimos 90 anos, que resultou num défice recorde de produção hídrica da EDP no mercado Ibérico no trimestre de 2,6TWh [terawatts hora] face à média histórica”.


“Este défice hídrico resultou na necessidade de um volume equivalente de compras de eletricidade no mercado grossista Ibérico, por forma a satisfazer o consumo da carteira de clientes, num trimestre de preços máximos históricos (preço médio de eletricidade 229euros/MWh no 1.º trimestre de 2022, uma subida homóloga de 407%)”, indicou, na mesma nota.


“Estamos a tentar mitigar [o impacto] ao longo do resto do ano para compensar este trimestre”, salientou o CEO, por sua vez, sublinhando que a aposta é nas renováveis e em outras geografias, como os EUA e o Brasil.


Questionado sobre se, nos próximos tempos, a EDP vai aumentar preços para compensar estes impactos, o CEO recordou que a empresa tem “compromissos”.


“Temos compromissos e contratos com grande parte dos clientes empresariais e domésticos”, destacou, sublinhando que a EDP vai “manter aqueles compromissos” que tem.


“Vamos tentando, à medida que se vai renegociando os contratos, ao longo dos próximos tempos refletir aquilo que é o preço de mercado nalguns desses contratos”, referiu, ressalvando que o que a empresa tem “aconselhado os clientes empresariais é a fazer contratos a longo prazo, de cinco ou seis anos”, contando que o preço nos próximos anos seja mais baixo.


“A aposta nas renováveis vê-se em alturas destas, de crise, faz imenso sentido”, salientou, indicando que “tudo o que seja investimento em renováveis nos vários países, melhorar a velocidade de licenciamento da parte das interligações, tudo isso permite ter renováveis mais rapidamente e a preços mais baixos”.


“Temos de estar preparados para anos muito secos”, disse ainda, indicando a volatilidade da geração hídrica de energia. “Seja o solar ou a eólica, são muito menos voláteis e são fontes de geração mais estáveis do que a hídrica”, garantiu.


A EDP registou, no primeiro trimestre deste ano, prejuízos de 76 milhões de euros, que comparam com lucros de 180 milhões de euros no período homólogo, devido à seca e ao aumento do custo da eletricidade, anunciou hoje, em comunicado.



ALYN // CSJ


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