15 Maio 2022, 12:56

Cerca de 2,4 milhões de crianças moçambicanas estão envolvidas em trabalho infantil

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Chimoio, Moçambique, 22 abr 2022 (Lusa) – Cerca de 2,4 milhões de crianças moçambicanas estão envolvidas em trabalho infantil, a maioria empurrada devido a condições de pobreza e vulnerabilidade, disse hoje a ministra do Trabalho e Segurança Social do país, Margarida Talapa.


A governante citou dados de 2021 para referir que 79% das crianças envolvidas em trabalho infantil estão nas áreas da agricultura, caça, pescas, silvicultura e em trabalhos perigosos como garimpo, reiterando ser urgente erradicar essa forma de exploração.


“O nosso desafio é a economia informal” precisou Margarida Talapa, na abertura da conferência nacional sobre o combate às piores formas do trabalho infantil, na cidade de Chimoio, centro de Moçambique.


“Se o trabalho infantil é muitas vezes encarado como um problema social, com causas maioritariamente económicas, é importante notar que, num mercado cada vez mais competitivo, o uso de mão-de-obra infantil pode conduzir à proibição de produtos no mercado internacional, por se considerar concorrência desleal e nociva”, alertou.


“Já produzimos uma lista dos trabalhos considerados perigosos para crianças e já a introduzimos na proposta de revisão da lei do trabalho (depositada na Assembleia da República)”, referiu Margarida Talapa.


Lucas Mangrasse, vice-ministro moçambicano da Ação Social, disse que estão a ser assistidas mais de 1,7 milhões de famílias em situação de pobreza desde 2021, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade das crianças e o trabalho infantil.


Dados do inquérito sobre a violência contra a criança, lançado em 2021, e hoje consultado pela Lusa, indicam que 7% das raparigas e 22% dos rapazes com idade entre 13 e 18 anos já trabalharam em atividades remuneradas, em espécie ou valores monetários.


Moçambique participa em maio na Quinta Conferência Global sobre Trabalho Infantil, em Durban, África do Sul, e o encontro de Chimoio visa consolidar a informação nacional sobre o tema.



AYAC // LFS


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