03 Dezembro 2021, 00:48

Cervejaria Galiza fecha definitivamente

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Os trabalhadores da Cervejaria Galiza, no Porto, encerrada em julho de 2020, perderam em tribunal a derradeira oportunidade de reabrir o espaço, após o senhorio acionar o direito de preferência, adiantou fonte do sindicato.

Nuno Coelho, do Sindicato de Hotelaria do Norte, explicou que o desfecho do processo “decorre da lei” e que o “administrador de insolvência teve de dar o direito de preferência ao senhorio, uma vez que ele o acionou”, situação que não deixa alternativa sobre o encerramento ocorrido a 07 de julho.



O Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia declarou a 04 de junho a insolvência da Sociedade Atividades Hoteleiras Galiza Portuense, proprietária da cervejaria, na sequência do requerimento apresentado pela Sociedade Real Sabor, de Vila Nova de Gaia, no qual reclamava 11.951 euros, havendo 30 dias para a reclamação de créditos.

A esperança dos cerca de 30 trabalhadores da cervejaria passou, então, para o desfecho da assembleia de credores, agendada para 04 de agosto, e na eventualidade de aparecimento de um investidor que garantisse os postos de trabalho e calendarizasse o pagamento das dívidas.

Apesar de a empresa registar dívidas de cerca de dois milhões de euros ao Fisco e à Segurança Social, os trabalhadores conseguiram um “investidor interessado em manter a cervejaria aberta e que lhes mantinha os postos de trabalho”, relatou à Lusa Nuno Coelho.

Durante o processo surgiu outro investidor, “com outro interesse para as instalações”, acabando o processo por se estender “até quinta-feira da semana passada, altura em que o senhorio acionou o direito de preferência”, acrescentou.

António Ferreira, ex-funcionário da cervejaria e representante dos trabalhadores comissão de credores, afirmou-se “surpreendido com o desfecho”, lembrando que “tinham um investidor, a empresa Imparávelpuzle, de Adriano Cardoso, que iria dar continuidade à cervejaria como marisqueira e cervejaria”.

“A recuperação do espaço pelo senhorio deixou uma incógnita sobre os trabalhadores que agora se veem sem perspetiva nenhuma”, acrescentou António Ferreira, confirmando que, embora todos “estejam no fundo de desemprego, mais de metade dos quase 30 restantes ainda estão longe da idade da reforma”.

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