24 Setembro 2021, 10:34

China pode relaxar restrições a viagens internacionais no primeiro semestre de 2022

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Pequim, 03 jun 2021 (Lusa) – A China deve reabrir as suas fronteiras a determinados países, no primeiro semestre do próximo ano, se acelerar a taxa de vacinação contra a covid-19, disse hoje um especialista chinês em doenças infecciosas.


“É impossível permanecermos fechados por muito tempo e é por isso que precisamos aumentar a vacinação para atender às condições de uma reabertura condicional”, disse Zhang, que lidera a equipa de Xangai encarregada de combater a covid-19, durante o Fórum Boao para a Ásia, em Qingdao, no leste da China.


“Podemos iniciar intercâmbios com países que têm alta taxas de vacinação e baixa prevalência de covid-19”, defendeu.


Os apelos têm aumentado para que a China elimine as restrições em vigor há mais de um ano, com grupos empresariais a argumentar que as suas operações foram afetadas.


A expansão do setor de serviços da China desacelerou em maio, revelou uma pesquisa da revista Caixin divulgada hoje, com a procura externa a enfraquecer e o aumento dos custos a pressionar as empresas.


A pesquisa atribuiu a desaceleração à queda na procura do exterior. Um indicador de pedidos de exportação registou contração.


A Câmara de Comércio Britânica na China disse na semana passada que o encerramento das fronteiras da China não só trouxe inconveniências para os seus membros, mas também representou desafios adicionais para os importadores chineses de componentes e mão-de-obra especializada.


“A normalização das viagens e o apoio ao intercâmbio intercultural contínuo são importantes para melhorar as relações bilaterais”, lê-se no relatório anual.


“Isto é vital se queremos combater as narrativas que apoiam uma dissociação e a desglobalização, mas não pode ser alcançado se as fronteiras permanecerem fechadas, se os estrangeiros se sentirem discriminados ou indesejados, ou se os mecanismos de aproximação enferrujarem”, apontou.


Países com maior taxa de inoculação, como Israel, Estados Unidos e Reino Unido, estão a preparar acordos para retomar o intercâmbio entre pessoas no segundo semestre deste ano, mas a data para retomar viagens a nível global permanece desconhecida, já que será determinada pela taxa geral de vacinação e novas variantes do vírus, disse Zhang.


Questionado sobre se será necessário receber vacinas contra a covid-19 todos os anos, Zhang presumiu que isso será necessário, porque com o passar do tempo a proteção gerada por qualquer vacina enfraquece.


“Temos que esperar por mais dados para decidir se os seres humanos devem ser inoculados repetidamente”, observou.


Gao Fu, chefe do Centro Chinês de Controlo de Doenças, disse recentemente que o vírus parece evoluir como o vírus da gripe.


“Provavelmente precisaremos receber doses contra a covid-19 todos os anos, assim como coexistimos com a gripe”, disse.


Para alcançar a imunidade coletiva contra a covid-19, a China terá que vacinar 80% da sua população.


A China administrou já mais de 700 milhões de doses, segundo dados difundidos hoje pela Comissão Nacional de Saúde. Com 1,4 mil milhões de habitantes, a China é o país mais populoso do mundo.



JPI // PJA


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