26 Janeiro 2022, 14:29

Confiar «dá asas» a ex-reclusos na transição para a liberdade

Susana Faria AdministratorKeymaster

Sair em liberdade à procura do tempo perdido não é uma tarefa fácil para aqueles que viram parte da sua vida passar entre grades de janelas. A Confiar-Associação de Fraternidade Prisional pretende que essa reintegração na sociedade seja feita de uma forma justa e com o devido suporte. Para isso, criou, em Cascais, um Centro de Apoio Familiar para «dar asas» e curar as feridas de ex-reclusos. Ao Mundo Atual, o presidente da Associação explica que, neste momento, ajudam 60 pessoas e garante que vão continuar a lutar contra as estatísticas europeias, que mostram que 75% dos reclusos voltam ao crime após a libertação.

A Associação Confiar, sediada em Cascais, nasceu para colmatar as dificuldades encontradas por ex-reclusos, assim que se abrem as portas dos estabelecimentos prisionais rumo à liberdade.
“Fazemos a reinserção social de ex-reclusos e temos um papel ativo na prevenção de comportamentos de risco e desviantes. Apoiamos reclusos, ex-reclusos e as suas famílias”, começou por explicar Luís Gagliardini Graça, em entrevista ao Mundo Atual.

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Inicialmente, a Confiar – Associação de Fraternidade Prisional prestava apoio material e espiritual, “numa perspetiva de assistencialismo”. A partir de 2018 e, através de um protocolo assinado com a Câmara de Cascais e com Direção Geral da Reinserção e dos Serviços Prisionais, toda a ação foi reformulada e passou a ser executada e direcionada para um Centro de Apoio Familiar também chamado de «Casa de Saída», criado em Cascais.

“Fazemos a reinserção social de ex-reclusos e temos um papel ativo na prevenção de comportamentos de risco e desviantes. Apoiamos reclusos, ex-reclusos e as suas famílias”

O Centro funciona como “uma porta de saída para a liberdade” e é “uma forma de transição”, que recebe ex-presidiários, desde seis meses a um ano, após a saída dos estabelecimentos prisionais. Neste momento, entre reclusos e familiares, a IPSS defende os interesses de 60 pessoas.
Através de um questionário de necessidades preenchido nas prisões, de forma voluntária, a Confiar analisa cada situação e, junto da rede de apoio social da Câmara de Cascais, com psicólogos e assistentes socais, identifica “fatores de proteção que equilibram os fatores risco evidenciadas nos questionários”.

Reclusos recebem apoio jurídico

Além de uma equipa de psicólogos, a associação conta ainda com a ajuda de um advogado que presta apoio jurídico para que a reintegração na sociedade seja fácil e livre de problemas com a justiça.
“O advogado, junto das entidades competentes, tenta facilitar a vida a estas pessoas que estão a tentar sobreviver. Devido a algum problema existente, os reclusos podem entrar em desespero e complicar a sua situação que já é bastante vulnerável. A nossa missão é sustentá-los, apoiá-los e coordená-los para que a sua dignidade volte a crescer. O objetivo é que, futuramente, possam retomar a sua vida, trabalhar e pagar impostos como todos os cidadãos”.

Apoio estende-se também às famílias

Cometer crimes, cumprir pena, sair em liberdade e voltar ao crime é a linha que rege a vida de cerca de 75% dos reclusos no Mundo, sendo, desta forma crucial a existência do apoio da Confiar que vê também nos filhos de ex-reclusos o risco de “não quebra do ciclo”.
“A Confiar quer diminuir a reincidência criminal das pessoas ex-reclusas, que no Mundo ronda os 75% e pretende ainda prevenir comportamentos de risco desviantes juntos dos reclusos, filhos de reclusos e da população em geral”, esclarece o Diretor, salientando que vários estudos referem que sete em cada dez filhos de reclusos não quebram o ciclo de crime.
Nos dias que correm, se conseguir emprego já é uma tarefa complicada, para quem tem no cadastro vários crimes, esta assume-se como uma missão quase impossível, que a Confiar tem procurado solucionar.
Através de parcerias com empresas e com o IEFP, a Confiar reintegra ex-reclusos no mercado de trabalho, dando-lhes formação para que se adaptem a novas situações e consigam realizar tarefas que não faziam parte do seu dia-a-dia.

Associação apoia jovens do Bairro de Alcoitão

A Confiar venceu o prémio «Bairro Restaurativo de Alcoitão», inserido no projeto «Bairros Saudáveis» e que surge da necessidade de apoiar e resolver os problemas da comunidade do Bairro de Alcoitão, no qual está localizada a «Casa de Saída».
Trata-se de uma comunidade com várias carências, sendo este projeto fundamental para que, “junto dos restaurativos e de toda a população”, sejam encontradas soluções para os problemas que possam existir.
Os jovens também estão na linha de ação do «Bairro Restaurativo de Alcoitão» e, através da Escola Profissional Val do Rio, recebem apoio ao estudo, com recurso a workshops “para que possam perceber que a escola pode ser muto interessante e irá trazer-lhes um futuro risonho”, frisou Luís Gagliardini Graça, dando conta que estão envolvidos no projeto cerca de 30 jovens.
“Este é um projeto totalmente inovador que pretende levar práticas restaurativas e de escuta ativa, onde as pessoas se sentam e conta os problemas, ouvem e escutam o próximo. Tentamos resolver os problemas através de uma abordagem de muita proximidade”, finalizou.

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