20 Setembro 2021, 07:24

Conheça o «Sim Somos Capazes», o projeto que orgulha a Freguesia de Canelas

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O Mundo Atual foi a Canelas conhecer o «Sim, Somos Capazes», o projeto social que ajuda jovens com necessidades educativas especiais a adquirir competências e a desenvolver capacidades tendo em vista a entrada no mercado de trabalho.

 

Sara Ferreira, Pedro Martins e Pedro Durães. São estes os nomes dos «fundadores» do projeto social «Sim, Somos Capazes» que em 2017 se instalou no Agrupamento de Escolas de Canelas e que hoje é já uma referência na cidade e não só. Perante o término da escolaridade obrigatória e a falta de respostas sociais e de integração, a preocupação dos pais deu lugar ao nascimento do projeto.

Com Luís Baião ao leme – o recente nomeado e finalista ao Prémio Professor do Ano – o «Sim, Somos Capazes» avançou “com uma bancada, café e bolos” num edifício do Agrupamento de Escolas, onde coabitam com a Academia Sénior ou alunos de alguns Cursos do IEFP, em parceria com a Associação Desportiva e Cultural Santa Isabel.

Agora no «Sim Café», os alunos e o mentor do projeto, contam ao Mundo Atual tudo o que fizeram desde então, a começar pelas muitas obras realizadas “com o dinheiro que ganhávamos na venda de bolos e café” e num espaço onde se “amontoava lixo”.

O objetivo principal é que eles adquiram competências para serem posteriormente inseridos no mercado de trabalho. E aqui desenvolvemos várias atividades nesse sentido.

Desde então muita coisa mudou. A começar pelo número de jovens, atualmente são 15, mas até 2022 serão 20, sendo que dois já estão “com contratos emprego inserção: a Sara e o João”, conta-nos Luís Baião enquanto nos guia por uma visita às instalações, a começar pela nova cozinha onde no dia da nossa visita se realizava um Workshop de Culinária.

A cozinha, preparada para servir almoços, foi uma obra dos jovens e dos pais, e foi pensada para servir refeições leves e simples a toda a comunidade. No entanto, tendo em conta o espaço reduzido, a ideia foi adiada devido às limitações impostas pela Covid-19.

Seguimos para a sala de música, de ensaios e de composição, onde a Banda do Sim interpreta poemas de autores portugueses – no dia da nossa visita fomos brindados com o «Mar Português».

Já no exterior, existe uma estufa hidropónica, com alfaces que se vendem para fora e que seriam usadas também no restaurante, uma estufa com morangueiros e tomateiros, um galinheiro, dois pomares e uma oficina. Mas entre as atividades estão ainda a jardinagem, já que são estes jovens que tratam das zonas verdes de toda a escola, o grupo de teatro, o surf, a vela, entre outras.

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Luís Baião – Coordenador do Projeto

 

“O objetivo principal é que eles adquiram competências para serem posteriormente inseridos no mercado de trabalho. E aqui desenvolvemos várias atividades nesse sentido”, acrescenta ainda o professor, que nos mostra tudo que por ali se vai fazendo diariamente.

Luís Baião não tem dúvidas que “o sucesso deste projeto é comunitário porque existe um forte impacto na comunidade local”, algo que o deixa extremamente “orgulhoso”.

Por isso, o «Sim, Somos Capazes» será replicado noutras freguesias.

“Já tive reuniões nesse sentido. A resposta que será dada em Mafamude, em Oliveira do Douro, em Olival não será a mesma que temos aqui porque será feita por pessoas diferentes. Mas há um fio condutor que é ouvir as pessoas e perceber o que querem. E é assim que os projetos resultam”, acrescenta.

Apoios no valor de 231 mil euros

 

O «Sim, Somos Capazes» viu o seu projeto ser aprovado no Programa de Parcerias para o Impacto da «Portugal Inovação Social» com uma verba de 231 mil euros, dos quais 70 mil serão financiados pela Câmara de Gaia.

“O primeiro apoio que recebemos da Câmara foram 600 euros e nós fizemos milagres com aquele dinheiro! Mas naquela altura era o que precisávamos. Entretanto, foram apoiando e foram vendo a seriedade do nosso trabalho e associaram-se a este movimento.

E agora surgiu o Programa para 3 anos. É muito bom!”, conta Luís Baião, admitindo que as “apesar de as expetativas serem otimistas quando o projeto foi criado, as mesmas acabaram por ser excedidas tendo em conta tudo que assistimos agora, nomeadamente o envolvimento da comunidade”.

O projeto venceu ainda o prémio Escola Amiga, da Leya Educação, na categoria de Cidadania e Inclusão, e conquistou assim 500€ em livros assim como um cheque-oferta no valor de 1000 euros em materiais escolares, oferecido por um parceiro.

“Começa a haver reconhecimento pelo nosso trabalho e, por isso, não deixa de ser um orgulho para todos. Tudo isso acaba por nos dar credibilidade e exposição”, sublinha o professor.

Relativamente ao futuro, Luís Baião diz que o trabalho em Canelas passa apenas “por ouvir, absorver as ideias, que surgem todos os dias, e transformar sonhos em realidade”.

“O dia-a-dia destes jovens, vê-los felizes, saber que os pais estão agradecidos, o reconhecimento da comunidade, da escola, dos colegas, isso é que enche o coração e é fabuloso”, conclui o professor.

 

Fotos: Pedro Trindade

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