05 Fevereiro 2023, 22:36

Consórcio do Greater Sunrise vai analisar que opção de gasoduto mais beneficia Timor-Leste

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Díli, 05 fev 2023 (Lusa) — O consórcio do Greater Sunrise, no Mar de Timor, anunciou hoje que vai comparar as opções de um gasoduto para Timor-Leste ou para a Austrália e identificar o mais benéfico para os timorenses.


“Os estudos incluirão a avaliação de qual opção proporciona o benefício mais significativo para o povo de Timor-Leste. O consórcio tem como objetivo completar o programa de seleção de conceito rapidamente, dado os benefícios que poderiam fluir do desenvolvimento dos campos Sunrise”, referiu um comunicado conjunto emitido segunda-feira (hora local, noite de domingo em Lisboa).


A declaração conjunta é a primeira em que as três empresas admitem em conjunto a possibilidade do gasoduto vir para Timor-Leste, sendo que até aqui a Woodside se tem mostrado contra essa opção, defendendo a de um gasoduto para Darwin.


A nota de imprensa, enviada à Lusa, surge depois de uma nova ronda de diálogo das três empresas que integram o consórcio do Greater Sunrise, a timorense TIMOR GAP (56,56%), a Operadora Woodside Energy (33,44%) e a Osaka Gas Australia (10,00%).


O consórcio “afirma conjuntamente o seu compromisso de empreender um programa de seleção do conceito de desenvolvimento dos campos do Greater Sunrise”, informaram as empresas no comunicado.


“O consórcio analisará todas as questões-chave para a canalização do gás, para processamento e venda de GNL, para Timor-Leste em comparação com a canalização do gás para a Austrália”, sublinhou a nota informativa.


As três empresas explicam que as análises comparativas “incorporarão e atualizarão os trabalhos anteriores utilizando as mais recentes tecnologias e estimativas de custos, considerando também os benefícios socioeconómicos, capacitantes, de segurança, ambientais, estratégicos e de segurança das várias opções”.


António de Sousa, presidente da TIMOR GAP, manifestou-se satisfeito pelo que considera ter sido o contributo dos esforços da petrolífera timorense para a concretização do tão aguardado objetivo de desenvolvimento do Greater Sunrise.


“Este caminho a seguir é um compromisso significativo para com os nossos parceiros, para com as aspirações daqueles que fizeram sacrifícios para alcançar a independência da República Democrática de Timor-Leste, e para o futuro do nosso povo e de Timor-Leste. Oferece um caminho mais claro para a prosperidade, igualdade, paz, estabilidade e sustentabilidade para as gerações atuais e futuras”, referiu, citado no comunicado.


Meg O’Neill, responsável da Woodside, disse que o desenvolvimento de novas tecnologias e a procura crescente de GNL seguro e fiável significam que este é o momento certo para acelerar a seleção do conceito de desenvolvimento.


“É importante continuarmos a estudar formas de desenvolver os campos do Greater Sunrise utilizando as mais recentes tecnologias, avaliando, por exemplo, o GNL modular, que não existia no passado”, afirmou.


“Num contexto de instabilidade geopolítica global e de cadeias de fornecimento de energia constrangidas, há uma oportunidade para o consórcio do Sunrise avançar significativamente com este projeto regionalmente importante”, sublinhou.


Para Yo Otsuka, diretor-geral da Osaka Gas Australia, é importante avaliar e comparar o conceito de desenvolvimento dos pontos de vista técnicos e comerciais para selecionar a melhor opção para o sucesso do projeto.


Paralelamente à definição do conceito de desenvolvimento do projeto, o consórcio está igualmente a avançar na negociação sobre outros elementos do projeto, incluindo um novo Contrato de Partilha de Produção, código de mineração de petróleo e acordos associados com os Governos de Timor-Leste e da Austrália, “que após a finalização proporcionarão a certeza fiscal e regulamentar necessária para que o desenvolvimento prossiga”.


O acordo de fronteira marítima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, localizado a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, terá que ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o país, ou 80% se o processamento for em Darwin.


 


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