28 Setembro 2021, 04:35

Costa diz que posição do BE não é clara e pede que se evitem ultimatos e dramatizações

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 27 mai 2021 (Lusa) – O secretário-geral do PS considera que da Convenção do Bloco de Esquerda não saiu uma posição clara sobre o posicionamento deste partido face ao Governo e recomendou aos bloquistas que evitem ultimatos e dramatizações em futuras negociações.


António Costa falava aos jornalistas após ter entregado a sua moção de orientação política ao Congresso do PS, que se realiza em 10 e 11 de julho, e na qual a liderança dos socialistas insiste no diálogo com as forças de esquerda.


Interrogado por duas vezes sobre a posição que resultou da recente Convenção do Bloco de Esquerda, em Matosinhos, no distrito do Porto, no que respeita ao quadro de relações com o seu Governo, o secretário-geral do PS respondeu: “Vou ser sincero, não assisti a toda a convenção, assisti a alguns bocados e, sobretudo, à leitura que a comunicação social fez” desse evento político.


“A partir da leitura da comunicação social, acho que o Bloco de Esquerda não deve ter sido muito claro, porque vi dois tipos de análise: Alguns comentadores disseram que o BE tinha reaberto a porta para um diálogo com o PS; e vi outros dizerem que tinha utilizado essa convenção para colocar o PS como adversário principal, fechando as portas a uma futura negociação”, declarou.


Face a esse panorama, António Costa disse que ficou a achar que “eles [bloquistas] não devem ter sido muito claros, porque os comentadores fizeram interpretações absolutamente distintas”.


“Agora, a posição do PS é clara: Diálogo à esquerda numa base construtiva, séria, sem ultimatos ou dramatizações, nem dizendo expressões – essa por acaso ouvi-a à dra. Catarina Martins – que não cedemos, não recuamos. Não é assim que falamos, porque numa negociação temos de estar de espírito aberto”, advertiu.


Para António Costa, quem negoceia tem de estar disponível para recuar e para aceitar o que os outros dizem.


“Quem se senta à mesa a dizer que não recua em nada, verdadeiramente não quer qualquer acordo, procurando antes impor um ultimato, o que não seria aceitável. Espero que as coisas evoluam de um ponto de vista construtivo”, afirmou.


Recuando ao final de 2020, António Costa apontou “pessoas no Bloco de Esquerda que estavam muito convencidas de que, no atual cenário de crise, o PS ia ficar isolado na Assembleia da República, sendo incapaz de gerir a crise económica e social sem recorrer a medidas de austeridade, sem cortar salários ou aumentar impostos”.


“Mas têm vindo a ficar surpreendidos por termos cumprido que a austeridade não é o caminho e, pelo contrário, teremos uma política de reforço do investimento público, de proteção do emprego como prioridade das prioridades e de proteção do rendimento das pessoas”, advogou.


Depois, António Costa retomou uma crítica de ordem política, dizendo que no Orçamento do Estado para 2021, “na verdade, quem acabou por votar à direita foi o Bloco”.


“O PCP, o PAN e o PEV viabilizaram o Orçamento, assim como as deputadas não inscritas [Joacine Katar Moreira Cristina Rodrigues]. Quem ficou isolado à esquerda foi o Bloco de Esquerda, que votou sozinho com a direita. Mas isso é um problema do Bloco, sou candidato a secretário-geral do PS e não tenciono estar aqui a dizer o que o Bloco deve ou não fazer. Fará o que bem entender”, acrescentou.



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