04 Dezembro 2021, 04:04

CDS-PP pede “coragem política” ao Governo e critíca “experimentação”

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

O líder parlamentar do CDS-PP criticou hoje o confinamento “mais `light´ [leve]” do que em março e acusou o Governo de seguir “um princípio de experimentação”, pedindo “coragem política” para tomar medidas para apertadas contra a covid-19.

“O que não me faz sentido a mim, e não faz seguramente sentido a muitos portugueses, é como é que o confinamento é mais ‘light’, por assim dizer, agora do que foi em março. Não parece fazer nenhum sentido”, afirmou o deputado, contrapondo que, quando esse primeiro confinamento geral terminou, Portugal registava “642 casos, dois óbitos e vinte” internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI), enquanto agora são ultrapassados os 10 mil casos diários, hoje registaram-se mais de 200 mortes e as UCI “estão à beira de esgotar em muitos casos”.

Intervindo no debate com o primeiro-ministro sobre política geral, na Assembleia da República, Telmo Correia disse que as medidas tomadas pelo Governo criam “um bocado a ideia” de que, em vez de optar por “um princípio geral de precaução”, estando “sempre à frente dos acontecimentos”, o executivo está “a seguir um princípio de experimentação”, a ver se o que decreta “resulta ou não resulta”.

“Sem medidas de confinamento geral dificilmente vamos ultrapassar esta situação”, alertou, assinalando que, “mais do que sobressalto cívico, é preciso coragem política de determinar um confinamento sério, porque a situação é de facto muito grave”.

O deputado acusou também o Governo de, desta forma, “correr atrás do prejuízo” e insistiu no encerramento das escolas.

“Como é que quer ter um confinamento eficaz, ter um confinamento rigoroso quando tem uns milhões de pessoas a circular todos os dias? Não é possível, porque isso depois cria todo o contexto da tal circulação que torna com que o confinamento não seja eficaz”, advogou Telmo Correia.

Apontando que esta decisão pode implicar o sacrifício de “vidas noutras gerações”, o centrista propôs que, para compensar o fecho das escolas, o ano escolar pode ser prolongado.

O deputado democrata-cristão quis saber também como é que o primeiro-ministro pode garantir que as escolas não são pontos de contágio pelo novo coronavírus quando anunciou que “vai começar os testes amanhã”.

Na resposta, o primeiro-ministro, António Costa, salientou que “o mais fácil para um decisor político era mesmo encerrar as escolas”, advogando que “o custo não é imediato” mas será pago “daqui a 10, daqui a 20 anos”.

“O que é responsável politicamente é batermo-nos por manter as escolas abertas, e é por isso que vamos fazer tudo para poder manter as escolas abertas”, assegurou, notando que não há consenso entre os especialistas sobre se devem continuar as aulas presenciais.

No que toca às infeções em contexto escolar, o chefe de Governo indicou que, de 5.400 escolas públicas, “só 13 estão encerradas por surtos”, e de mais de um milhão de alunos, “39 mil estão confinados”, salientando que “a vigilância médica é feita”.

António Costa recorreu ainda a uma analogia para responder a Telmo Correia: “é fácil quem está ao lado opinar, quem vai a conduzir tem o dever de ter a responsabilidade de saber ouvir, de estar atento aos sinais, saber quando é que pode acelerar, quando é que tem de travar, quando é que tem de mudar a mudança, quando é que tem de mudar de sentido. É isso que eu procuro fazer todos os dias”.

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