24 Dezembro 2022, 21:10

Covid-19: Cerca de mil pessoas manifestam-se em Pequim contra política de ‘zero casos’

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Pequim, 27 nov 2022 (Lusa) — Cerca de mil pessoas protestaram hoje, junto à zona das embaixadas em Pequim, contra as restritivas medidas de prevenção contra a covid-19 vigentes na China, enquanto alguns manifestantes criticaram diretamente a governação do Partido Comunista Chinês.


“Não queremos mais bloqueios, queremos ser livres”, gritaram os manifestantes, condenando ainda a realização quase diária de testes PCR em massa, no âmbito da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19 imposta pelo Governo chinês.


Os protestos ocorreram em Liangmaqiao, junto da zona das embaixadas e do terceiro anel, uma das circunvalações de Pequim.


A maioria dos manifestantes era constituída por jovens, que exibiam folhas de papel em branco, numa crítica implícita à censura exercida pelo regime chinês, que apaga das redes sociais comentários críticos e vídeos e fotografias suscetíveis de denegrir a sua imagem.


As palavras de ordem foram sobretudo dirigidas à estratégia chinesa de ‘zero casos’ de covid-19, que inclui o bloqueio de bairros e cidades inteiras, por vezes ao longo de meses, e a realização constante de testes PCR em massa.


No entanto, a agência Lusa testemunhou também críticas diretas ao Partido Comunista (PCC), partido único do poder na China, desde a fundação da República Popular, em 1949.


Sob a presidência do atual líder chinês, Xi Jinping, o PCC assumiu, nos últimos anos, um controlo quase absoluto sobre a sociedade, ensino ou produções artísticas da China. Xi obteve, no mês passado, um terceiro mandato, cimentando o seu estatuto como um dos líderes mais fortes na História moderna da China.


“A China é um país e não um partido”, lançou uma manifestante. “A China pertence ao seu povo, e não a eles”, atirou outro, erguido em cima de um muro, com o punho no ar, arrancando aplausos dos manifestantes.


Os protestos começaram com uma vigília com velas e flores, organizada em memória das vítimas do incêndio na cidade de Urumqi, que resultou em dez mortos. Os manifestantes começaram, a seguir, a marchar pelas ruas circundantes, tendo sido circundados mais tarde por centenas de agentes da polícia.


Não houve registos de confrontos entre manifestantes e membros das forças de segurança.


Imagens difundidas nas redes sociais do incêndio em Urumqi mostram que o camião dos bombeiros não conseguiu entrar inicialmente no bairro, já que o portão de acesso estava trancado, e que os moradores também não conseguiram escapar do prédio, cuja porta estava bloqueada, em resultado das medidas de prevenção epidémica.


Ao abrigo da política de ‘zero casos’ de covid-19, a China impõe o bloqueio de bairros ou cidades inteiras, a realização constante de testes em massa e o isolamento de todos os casos positivos e respetivos contactos diretos em instalações designadas, muitas vezes em condições degradantes.


Os protestos em Pequim surgem após manifestações semelhantes em várias cidades do país, incluindo Xangai, Nanjing e Urumqi.


Em Urumqi, grupos de manifestantes cantaram “Aqueles de vós que se recusam a ser escravos, ergam-se” – um verso do hino nacional chinês — e gritaram “queremos liberdade”, apelando para o fim dos testes em massa e dos códigos QR, uma versão bidimensional do código de barras colocado na entrada de todos os edifícios, assim como nos transportes públicos ou táxis. O acesso a locais públicos ou residenciais depende da digitalização destes códigos com uma aplicação instalada no telemóvel.


Em Xangai, vários manifestantes lançaram palavras de ordem contra o Presidente chinês e o Partido Comunista: “Xi Jinping! Vai-te embora! PCC! Vai-te embora”.


“Podemos finalmente ver que há sangue na guelra da juventude chinesa”, comentou Song Mei, chinesa natural de Pequim, à Lusa. “Ainda há esperança para este país”, atirou.



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