28 Setembro 2021, 18:14

Covid-19: Maioria dos alunos moçambicanos não teve ensino à distância

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 03 jun 2021 (Lusa) – A maioria dos alunos moçambicanos não teve acesso ao ensino à distância em 2020, uma situação que vai ter impacto no desempenho escolar, refere o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no relatório anual consultado hoje pela Lusa.


Um total de 8,5 milhões de alunos foram afetados pelo encerramento de escolas em todo o país devido às restrições para conter a pandemia de covid-19 e “apesar dos esforços do Governo e de parceiros para apoiar o ensino à distância, a maioria dos alunos, especialmente ao nível do ensino primário, não teve acesso” àquele método alternativo, lê-se no documento. 


O encerramento prolongado de escolas com acesso limitado ao ensino à distância “terá impacto no desempenho escolar e nos resultados da aprendizagem das crianças em Moçambique”, alerta o UNICEF. 


Segundo a agência, embora algumas escolas tenham reaberto no último trimestre de 2020 “para algumas classes, a maioria dos alunos do ensino primário e pré-primário não pôde regressar às salas de aula, porque as escolas não atendiam aos requisitos mínimos de segurança”.


As restrições têm, entretanto, sido aliviadas, à medida que o número de casos e mortes desce: Moçambique tem um total acumulado de 836 mortes e 70.923 casos, dos quais 98% são considerados recuperados e 14 estão internados.


O relatório de 2020 retrata um impacto que a ajuda externa tentou mitigar.


Os quatro setores estratégicos para o bem-estar da criança (educação, saúde, água e obras públicas e ação social) “registaram aumentos significativos nos seus orçamentos revistos para 2020, principalmente devido ao apoio de instituições financeiras internacionais”. 


No entanto, “para as cerca de 10 das 14 milhões de crianças moçambicanas que já viviam na pobreza, as várias crises de 2020 empurraram-nas para uma maior vulnerabilidade, pondo em risco os seus direitos básicos”, conclui o UNICEF.


“Apenas um ano após dois ciclones tropicais consecutivos terem devastado partes de Moçambique, o país viu-se mergulhado na pandemia global da covid-19 e num conflito armado cada vez mais complexo em Cabo Delgado”, detalha.


Além de traçar os desafios, a agência apresenta diversos resultados sobre 2020, com destaque para 2,5 milhões de crianças às quais conseguiu levar serviços de saúde essenciais.


Contribuiu ainda para que 284.471 pessoas tivessem acesso a água potável e facilitou a obtenção de 17 milhões de dólares em produtos destinados a salvar vidas no âmbito da covid-19.


O UNICEF promoveu ainda a saída de mais de 2.800 crianças de instituições de acolhimento e prisões sobrelotadas em Moçambique, como parte dos esforços para prevenir a covid-19.



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