03 Dezembro 2021, 12:58

Covid-19: Mais de 40% das crianças entre 6 e 10 anos sem acesso à educação no Brasil – Unicef

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

São Paulo, 29 abr 2021 (Lusa) — Mais de 40% das crianças entre 6 e 10 anos não tiveram acesso à educação no Brasil, em novembro de 2020, devido à pandemia de covid-19, informou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).


Segundo o estudo “Cenário da Exclusão Escolar no Brasil — um alerta sobre os impactos da pandemia de covid-19 na Educação”, lançado pela Unicef em parceria com o Cenpec Educação, o Brasil vinha avançando, lentamente, no acesso de crianças e adolescentes à escola, mas a pandemia pode fazer o país regredir duas décadas.


“No Brasil, a exclusão escolar atingiu sobretudo crianças de faixas etárias em que o acesso à escola não era mais um desafio. Dos 5,1 milhões de meninas e meninos sem acesso à educação em novembro de 2020, 41% tinham de 6 a 10 anos de idade, 27,8% tinham de 11 a 14 anos, e 31,2% tinham de 15 a 17 anos — faixa etária que era a mais excluída antes da pandemia”, informou a Unicef.


A agência das Nações Unidas acrescentou que, “em novembro de 2020, mais de 5 milhões de meninas e meninos não tiveram acesso à educação no Brasil — número semelhante ao que o país tinha no início dos anos 2000”.


Um dos países mais afetados pela pandemia de covid-19, o Brasil manteve a maioria de suas escolas fechadas no ano passado e quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos não frequentavam a escola nem remota ou presencialmente em novembro.


“A eles, somam-se outros 3,7 milhões que estavam matriculados, mas não tiveram acesso a atividades escolares e não conseguiram se manter aprendendo em casa. No total, 5,1 milhões tiveram seu direito à educação negado em novembro de 2020”, frisou a Unicef.


Florence Bauer, representante da Unicef no Brasil, afirmou num comunicado que crianças de 6 a 10 anos sem acesso à educação eram exceção antes da pandemia e essa mudança observada em 2020 pode ter impactos em toda uma geração.


“São crianças dos anos iniciais do ensino fundamental, fase de alfabetização e outras aprendizagens essenciais às demais etapas escolares. Ciclos de alfabetização incompletos podem acarretar reprovações e abandono escolar. É urgente reabrir as escolas, e mantê-las abertas, em segurança”, destacou Florence Bauer.


O estudo da Unicef mostrou, também, que a exclusão afetou mais quem já vivia em situação vulnerável já que a exclusão escolar foi maior entre crianças e adolescentes pretos, mulatos e indígenas, que correspondem a 69,3% do total de crianças e adolescentes sem acesso à educação no Brasil. 


“Os números são alarmantes e trazem um alerta urgente. O país corre o risco de regredir duas décadas no acesso de meninas e meninos à educação, voltado aos números dos anos 2000. É essencial agir agora para reverter a exclusão, indo atrás de cada criança e cada adolescente que está com seu direito à educação negado, e tomando todas as medidas para que possam estar na escola, aprendendo”, ponderou a representante da Unicef no Brasil.


Além de apresentar um panorama sobre os problemas de acesso a escolas, a Unicef recomendou que as autoridades do país realizem a busca ativa de crianças e adolescentes que estão fora da escola para garantir acesso à Internet para todos, em especial os mais vulneráveis.


A Unicef avaliou que o maior país da América do Sul precisa “realizar campanhas de comunicação comunitária, com foco em retomar as matrículas nas escolas, mobilizar as escolas para que enfrentem a exclusão escolar e fortalecer o sistema de garantia de direitos para garantir condições às crianças e aos adolescentes para que permaneçam na escola ou retornem a ela”.


O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo ao contabilizar 398.185 vítimas mortais e mais de 14.521.289 casos confirmados de covid-19.


A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.152.646 mortos no mundo, resultantes de mais de 149,5 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.


A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.


 


CYR // LFS


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