04 Agosto 2022, 17:53

Covid-19: Medidas restritivas são “o cabo dos trabalhos” para teatros e companhias

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Redação, 23 nov 2020 (Lusa) – As medidas decretadas pelo Governo, para controlo da pandemia, têm-se revelado “o cabo dos trabalhos”, em cancelamentos de espetáculos e ajustamento de horários, para salas de espetáculos e companhias, que levam semanas a refazer horários e programação.


O diretor dos Artistas Unidos (AU), Jorge Silva Melo, disse à Lusa que tem sido “o cabo dos trabalhos”, na companhia. Os últimos dias, disse, têm sido passados a ajustar horários, “de terça-feira a sexta, às 19:00”, a fazer em vídeo alguns dos recitais que tinham previsto, a “ensaiar com máscaras ‘A morte de um caixeiro viajante'”, a peça de Arthur Miller que preveem estrear na sala Garrett, do Teatro Nacional D. Maria II, em fevereiro de 2021.


“Mas é bom” o trabalho, frisou, acrescentando que a companhia “está a conseguir” manter a atividade, porque “a disciplina é aceite com naturalidade por todos”, além de que o “receio” de virem a ter ensaios cancelados, os faz “trabalhar mais depressa”.


“Estamos felizes. Sim, estamos a trabalhar”, frisou à Lusa, acrescentando que é para os espectadores que trabalham.


No Teatro da Politécnica, onde funciona a companhia, os espetadores têm aparecido, “com ligeiras baixas mas muitos aplausos, o que, quer se queira quer não, é uma vitória”, garantiu.


“Dos espectadores e nossa: estamos vivos e queremos estar juntos!”, concluiu Silva Melo.


O Teatro Experimental de Cascais (TEC), que tem em cena a peça “Yerma”, de García Lorca, estreada no passado dia 13, mantém o cancelamento dos espetáculos de fim de semana. Deste modo, a peça será apresentada apenas de quarta a sexta-feira, às 20:45.


Uma situação “assustadora”, para o responsável desta estrutura, Carlos Avilez, já que “é um espetáculo caro, com 19 pessoas em palco, tornando-se assim inviável do ponto de vista financeiro”.


“Mesmo com lotações esgotadas até à última data, é muito difícil manter este espetáculo de pé numa sala reduzida a 50 lugares”, metade da lotação normal, frisou à Lusa o diretor artístico do TEC.


“É uma luta pela sobrevivência. Uma dupla luta. Pela sobrevivência do teatro e pela sobrevivência à pandemia”, frisou.


Também o Teatro Aberto, que tem em cena a peça “Só eu escapei”, de Caryl Churchill, optou por cancelar os espetáculos dos fins de semana abrangidos pelas novas medidas, à semelhança do que aconteceu nos últimos dois fins-de-semana, em que era proibida a circulação de pessoas, entre as 13:00 e as 05:00, em cerca de dois terços dos concelhos portugueses.


Esta semana e na próxima, haverá apenas récitas de quarta-feira a sexta, às 19:00, daquela peça da dramaturga britânica, tal como nos fins de semana que antecedem os feriados de 01 e 08 de dezembro, disse à Lusa fonte da direção do Teatro.


“Mantemo-nos em cena e resistimos, esperando que a vontade de continuar a viver seja mais forte do que o medo que é visível nas pessoas, mesmo no nosso teatro em que cumprimos todas as regras de segurança impostas pela Direção-Geral da Saúde”, frisou a diretora de produção do Teatro Aberto, com sede à Praça de Espanha.


“É melhor apresentar três espetáculos por semana e cancelar dois aos fins de semana do que ter de cancelar tudo, como aconteceu em março, abril e maio”, sublinhou, acrescentando, porém, tratar-se de “um esforço muito grande de resistência e de sobrecarga financeira para a companhia”.


A capacidade da sala Azul do Teatro Aberto está limitada a 182 espectadores, o que representa um corte de 210 lugares, disse.


Também a Companhia de Teatro de Almada (CTA) teve de adaptar horários da peça “Gulliver”.


Direcionada para o público infantil, esta encenação de Teresa Gafeira, estreia-se no sábado, na sala de ensaios do Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB). Com as medidas impostas pela renovação do estado de emergência, “Gulliver” passará a ser representada aos sábados, domingos e feriados, às 11:00.


Fonte da CTA disse ainda à agência Lusa que a direção do Teatro se reunirá ainda hoje, para debater as medidas, que entram em vigor às 00:00, e estabelecer novos horários.


Em princípio, a peça “Prelúdio ao rei Lear”, que se estreou no último dia 13 na sala principal do TMJB, passa a ter sessões à terça-feira, às 21:00. Nos três domingos seguintes (29 de novembro, 01 de dezembro e 06 de dezembro), a última sessão será às 11:00.


Nas próximas duas semanas, o Teatro da Trindade, em Lisboa, terá apenas sessões de quarta-feira a sexta, às 20:30, tanto na sala Carmen Dolores, onde na quinta-feira, se estreia a nova produção própria, “Ricardo III”, como na sala Estúdio, onde está em cartaz “Maria, a mãe”.


O Teatro Nacional D. Maria II anunciará, na terça-feira, as novas datas de programação.


Hoje à tarde, a direção artística daquela sala esteve reunida para decidir as medidas a tomar, disse à Lusa fonte do gabinete de Comunicação.


Quanto aos responsáveis do S. Luiz Teatro Municipal, lamentaram a contrariedade imposta pela impossibilidade de circulação entre concelhos de risco muito elevado e extremo, de propagação da covid-19, que desta vez não contempla os espetáculos culturais como exceção.


“Uma vez que estamos abertos — e em segurança — dentro dos horários estipulados pelas atuais medidas definidas pelo Governo face à pandemia, lamentamos não ser possível a quem já adquiriu bilhetes, sendo habitante de um outro concelho, poder deslocar-se para assistir a espetáculos”, disse à Lusa a diretora artística do Teatro São Luiz, Aida Tavares.


O decreto original, publicado no sábado, estabelece a proibição de circulação na via pública aos sábados, domingos e feriados, entre as 13:00 e as 05:00, nos concelhos de risco muito elevado e extremo de propagação da covid-19.


No entanto, o decreto ressalva a possibilidade de “deslocações a mercearias e supermercados e outros estabelecimentos de venda de produtos alimentares e de higiene, para pessoas e animais”, sendo agora clarificado que nesta sequência não se encontra o acesso a eventos e equipamentos culturais, como tinha sido inicialmente publicado.


A novidade em relação aos espetáculos culturais, que já estavam de fora das exceções de circulação em períodos de recolher obrigatório, é que passam agora a estar impedidos de servir como justificação para circular entre concelhos em momentos de proibição de tal.


Ao contrário do que aconteceu no último fim de semana de outubro e dia de Todos os Santos, em que a circulação entre concelhos também esteve proibida, não serão permitidas deslocações para assistir a espetáculos culturais.



CP (TDI) // MAG


Lusa/Fim

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