07 Dezembro 2021, 00:05

Covid-19: PAICV acusa Governo de baixar guarda na campanha para evitar descontentamento

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Praia, 30 abr 2021 (Lusa) — O maior partido da oposição cabo-verdiana acusou hoje o Governo de ter baixado propositadamente a guarda relativamente às medidas para combater a covid-19, durante a campanha para as legislativas de 18 de abril, para evitar descontentamentos. 


“De alguma forma, o próprio Governo, interesseiramente, acabou por baixar a guarda para evitar descontentamentos em período de campanha eleitoral”, acusou o vice-presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), João Batista Pereira.


Em conferência de imprensa, na cidade da Praia, o político reconheceu que era praticamente impossível evitar aglomerações de pessoas na campanha eleitoral, em que também esteve envolvido, mas sublinhou que tanto antes como na campanha houve um baixar da guarda das autoridades públicas em matéria de fiscalização do cumprimento das normas decretadas pelo Governo. 


“Por alguma razão houve um relaxamento, primeiro por parte das autoridades”, salientou, lembrando que o parlamento aprovou uma lei que obriga ao uso de máscaras, mas que até agora não há relatos de alguém que tenha sido punido por não as utilizar. 


Além disso, referiu que nunca mais se fechou um estabelecimento, reduziram-se as campanhas de sensibilização na rua para prevenção contra a covid-19, o que entretanto voltou a acontecer agora. “Mas por quê é que se parou?”, questionou. 


Para o dirigente partidário, tudo isso “parece muito estranho”, tendo em conta que as autoridades, policiais e sanitárias, que deveriam atuar estão na tutela do Governo. 


“Parece-nos evidente que há, por ação ou por omissão, algo da parte do Governo que levou a que as autoridades baixassem a guarda em termos de fiscalização, levou ao relaxamento da população e como consequência hoje temos um aumento de casos de covid-19”, salientou.


O vice-presidente do PAICV exortou o Governo a tomar todas as providências que se mostrarem necessárias para conter a propagação da doença, proteger a saúde dos cabo-verdianos e reforçar as medidas que propiciem a retoma das atividades económicas, principalmente o turismo.


A conferência de imprensa do porta-voz do PAICV ocorreu momentos antes de o Governo cabo-verdiano ter voltado a decretar o estado de calamidade para os próximos 30 dias em todas as ilhas, exceto na ilha Brava, com medidas para limitar atividades com aglomerações de pessoas, depois do aumento de novos casos de covid-19.


“O Governo decreta a situação de calamidade nas ilhas de Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal, Boa Vista, Maio, Santiago e Fogo, de modo a permitir o reforço das medidas de prevenção e contenção que se revelam adequadas e proporcionais às exigências e especificidades do momento difícil que vivemos”, anunciou o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha. 


Na mesma ocasião, o ministro rejeitou a ideia de que a campanha para as eleições legislativas seja único fator para o aumento de casos de covid-19 no país, mas reconheceu excesso e relaxamento nesse período.


São Vicente foi a última ilha a estar em estado de calamidade durante dois meses até 18 de maio, e desde 19 de março que todas as ilhas de Cabo Verde estavam em situação de contingência, o segundo nível menos grave de três previstos na lei que estabelece as bases da Proteção Civil. 


Cabo Verde registou 373 novos infetados pelo novo coronavírus na quinta-feira, elevando para 23.554 os casos positivos acumulados desde o início da pandemia no país, dos quais 213 resultaram em óbitos e tinha 3.069 casos ativos. 


A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.168.333 mortos no mundo, resultantes de mais de 150,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. 


A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.


 


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