26 Outubro 2021, 19:36

Covid-19: Partidos repetem votação e estão preocupados com vacinação

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 17 dez 2020 (Lusa) — Os partidos repetiram hoje, no parlamento, argumentos contra ou dúvida sobre a renovação do estado de emergência devido à covid-19, mas uma das preocupações generalizadas é com o plano de vacinação e a sua execução.


Embora com diferenças de tom e ênfase, BE, PCP, CDS e PEV referiram-se à vacina que deverá começar a ser administrada nas próximas semanas em Portugal no debate que antecedeu a votação do prolongamento do estado de excepção, igual à de 04 de dezembro.   


Pelo BE, o líder parlamentar Pedro Filipe Soares anunciou que o partido manterá a abstenção, sustentando que o Governo tem de garantir a vacinação e “a resposta ao que ficou para trás” e que para isso, o executivo não pode ser “temerário na exigência aos privados”.


“O estado de emergência pode e deve ser usado para que os privados sejam incorporados sob a batuta do SNS, requisitados não em função do seu lucro, mas em função das necessidades do país e enquadrados numa visão estratégica para responder rapidamente aquilo que ficou para trás também”, declarou.


O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, afirmou que os comunistas vão repetir o voto contra, a exemplo do que fizeram há duas semanas, e insistiu no reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS).


O deputado avisou o Governo que não pode haver “falhas” no plano de vacinação para a covid-19, para que seja cumprido com “a maior eficiência”, sem esquecer a necessária “articulação entre as autoridades de saúde” para que os idosos em grupos de risco que estão em lares sejam vacinados “logo que possível”.


A deputada do PAN Inês Sousa Real considerou a renovação do estado de emergência necessária, mas pediu medidas proporcionais, apontando ainda que “a perspetiva das vacinas traz agora algum alívio e sinal de esperança”, numa altura em que a situação sanitária continua a ser “muito real e preocupante”.


“O Estado tem que ser garante e para aqueles que não acreditam num Estado Social ou querem emagrecê-lo ao máximo, têm nestas crises que vivemos a sua resposta”, acusou ainda a deputada, chamando a atenção para as ajudas necessárias em setores como a cultura, a restauração e o turismo.


O CDS, através do deputado João Almeida, acusou o Governo do PS de ter falhado na “gestão” do estado de emergência, advertiu que não se pode abusar deste mecanismo como “se fosse recorrente” e acusou a Direção-Geral da Saúde de falhar, ao “dizer que o Natal se pode festejar ao pequeno almoço” em vez de “dar segurança no combate à pandemia”.


E alertou que “não pode acontecer” com o plano de vacinação para a covid-19 “o mesmo que no plano de vacinação da gripe”, com as suas falhas e omissões, disse.   


Mariana Silva, deputada do Partido Ecologista “Os Verdes”, afirmou que a vacina pode ser uma forma de dar “confiança de estar perante o princípio de uma solução para este pesadelo”, mas não evita a necessidade de combater a pandemia.


Por isso, insistiu na necessidade do reforço dos serviços públicos, a começar pelo SNS, ou nos apoios para salvaguarda do emprego, como a proibição dos despedimentos e concluiu que, para o fazer, “nada faz falta o estado de emergência”.


À direita, André Ventura, do Chega, não tocou no tema da vacinação, e aproveitou para atacar o executivo do PS, afirmando que o país não vive “verdadeiramente” um estado de emergência, mas sim em “estado de caos sobre estado de caos” que destrói “a vida dos portugueses”.


Já o deputado da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, considerou ser desnecessária a discussão, de duas em duas semanas, de “autênticos cheques em branco a um governo que já demonstrou que é incompetente na gestão da pandemia” criticando, por exemplo, a possibilidade de limitar a cessação de contratos de trabalho de profissionais do SNS — razões pelas quais manterá o voto contra.


A deputada não inscrita Joacine Katar Moreira (ex-Livre) salientou que “sem apoio social, nenhuma medida de combate à covid funcionará”, sublinhando que o Estado social é o único que “efetivamente tem a capacidade de nos salvaguardar, independentemente das nossas origens”.


E Cristina Rodrigues (ex-PAN) utilizou os seus dois minutos de intervenção para chamar a atenção do governo para a incapacidade das escolas e universidades em apoiar crianças e jovens com deficiência, garantindo o ensino à distância, afirmando ainda ter tido conhecimento “de diversas crianças e jovens que se encontram em casas de acolhimento que não estão a ter autorização para ir a casa no Natal”, situação que lamentou.


 


NS/ARYL // SF


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