19 Outubro 2021, 18:19

Covid-19: PM de Cabo Verde espera “para breve” chegada de primeiras vacinas ao país

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Praia, 03 mar 2021 (Lusa) — O primeiro-ministro cabo-verdiano disse hoje que as primeiras vacinas contra a covid-19 deverão chegar ao país em breve e afirmou que o processo deveria ser agilizado por causa do surgimento da variante do vírus detetada no Reino Unido. 


“Já estamos inscritos na Covax, temos informação de que estará para breve a chegada das primeiras vacinas a Cabo Verde, mas não posso dar uma data fixa que não depende apenas de Cabo Verde”, afirmou Ulisses Correia e Silva. 


Questionado na cidade da Praia no final da apresentação do projeto do Hospital Nacional de Cabo Verde, o chefe do Governo reafirmou que a chegada das vacinas “não depende apenas da vontade de Cabo Verde”, mas sim da sua disponibilidade a nível internacional. 


Para o primeiro-ministro, o processo “deveria ser agilizado” devido à confirmação na segunda-feira da circulação no país da variante do vírus SARS-CoV-2 detetada inicialmente no Reino Unido. 


“Mas não depende apenas da nossa vontade e das nossas condições. Nós não produzimos vacinas, as vacinas vêm de fora, não temos um problema de financiamento para aquisição das vacinas, já há recursos disponíveis, temos é um calendário que está definido e que será concretizado e esperamos que seja o mais breve possível”, concluiu Ulisses Correia e Silva. 


De acordo com informação prestada à Lusa por fonte da Organização Mundial da Saúde (OMS), Cabo Verde vai receber 108.000 doses da vacina da AstraZeneca, produzidas na Índia, e 5.850 doses da Pfizer, ao abrigo da iniciativa Covax, mas os prazos de entrega ainda não estão oficialmente definidos. 


A calendarização dessa entrega a Cabo Verde – oficialmente a acontecer até maio – ainda não está definida com “exatidão”, mas no caso do arquipélago, as 108.000 doses da vacina da AstraZeneca serão provenientes dos laboratórios próprios e do instituto indiano Serum (maior produtor mundial), autorizado a produzir a mesma vacina. 


Angola tornou-se na terça-feira no primeiro país de língua portuguesa em África a receber vacinas contra a covid-19 (624.000 doses) ao abrigo da Covax, iniciativa que visa garantir uma vacinação equitativa contra o novo coronavírus. 


A plataforma Covax pretende entregar 90 milhões de doses de vacinas no continente africano até final deste mês. Até ao fim de maio, o planeamento prevê a entrega de 237 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca e de 1,2 milhões de doses da vacina Pfizer. 


Fundada pela OMS, em parceria com a Vaccine Alliance (Gavi, presidida pelo antigo primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso) e a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (Cepi), a Covax pretende garantir a vacinação a 20% da população de 200 países e tem acordos com fabricantes para o fornecimento de dois mil milhões de doses em 2021 e a possibilidade de comprar ainda mais mil milhões. 


O ministro da Saúde cabo-verdiano afirmou em entrevista à Lusa em 25 de fevereiro que a taxa de cobertura anual de 20% do plano de vacinação contra a covid-19 é uma previsão técnica, garantindo ser possível imunizar pelo menos 35% da população este ano. 


Arlindo do Rosário explicou que essa previsão de cobertura, que consta do plano — apontando vacinar 60% da população até 2023 -, foi estabelecida com base na informação atual, face à falta de disponibilidade de vacinas global, e como precaução.


O governante acrescentou que através da plataforma Covax está prevista a disponibilização a Cabo Verde, este ano, de vacinas suficientes para imunizar 35% da população. 


Arlindo do Rosário explicou que além da plataforma Covax, e do financiamento já garantido junto do Banco Mundial para a aquisição dessa quantidade de vacinas, o Governo cabo-verdiano está em negociações bilaterais analisando a “possibilidade de conseguir também a vacina extra plataforma”. 


O plano nacional de introdução e vacinação contra a covid-19 em Cabo Verde, aprovado em fevereiro pelo Governo, priorizou os profissionais de saúde, pessoas com doenças crónicas, idosos, professores, profissionais hoteleiros, ligados ao turismo e das fronteiras, polícias, militares e bombeiros. 


Para o efeito, “será necessária a aquisição de 267.293 doses” da vacina para a população alvo prioritária, num total de 111.372 pessoas, “e pretende-se vacinar até 2023 um total de 60% da população, sendo 20% em 2021, 20% em 2022 e 20% em 2023”.


A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.549.910 mortos no mundo, resultantes de mais de 114,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.


Cabo Verde regista 148 mortos e 15.483 casos de infeção.


A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.


 


RIPE (PVJ) // LFS


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