03 Dezembro 2021, 01:32

Covid-19: Produtores de Odemira alertam para “impacto económico” da cerca sanitária

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Odemira, Beja, 30 abr 2021 (Lusa) — O representante dos produtores do setor hortofrutícola de Odemira (Beja) alertou hoje para o “impacto económico” da cerca sanitária em duas freguesias do concelho, que implica a redução da mão-de-obra nas explorações agrícolas.


“Preocupa-nos muito o impacto económico que isto vai ter, mesmo que a cerca sanitária [por causa da pandemia] dure duas semanas, e também de contratos futuros com clientes com os quais estamos comprometidos e que não vamos abastecer”, disse à agência Lusa o presidente da Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores de Odemira e Aljezur (AHSA), Luís Mesquita Dias.


As estimativas da associação apontam para “uma redução de cerca de 40% no acesso a mão de obra” devido à cerca sanitária que não permite a entrada de trabalhadores que residem noutras zonas do concelho nas freguesias de São Teotónio e Longueira-Almograve.


“Falei hoje com um associado de uma exploração de Almograve, em que 95% das pessoas que lá trabalham não vivem naquela freguesia, ou seja essa empresa na área dos frutos vermelhos vai deixar de colher, dentro da próxima semana, entre dois e três milhões de euros”, exemplificou.


Luís Mesquita Dias diz mesmo que “a quantidade de produto que vai ter de ser deitado fora, porque não vai ser apanhado, é brutal” e teme pela “perda das vendas instantâneas” e pelo “impacto na credibilidade e nos contratos futuros dos clientes” que “não vamos poder abastecer”.


O Governo decidiu decretar uma cerca sanitária às freguesias de São Teotónio e de Almograve, no concelho de Odemira, devido à elevada incidência de casos de covid-19, sobretudo em trabalhadores do setor agrícola, anunciou na quinta-feira o primeiro-ministro.


António Costa sublinhou também que “alguma população vive em situações de insalubridade habitacional inadmissível, com hipersobrelotação das habitações”, relatando situações de “risco enorme para a saúde pública, para além de uma violação gritante dos direitos humanos”.


Para o dirigente, “quem ouviu o primeiro-ministro imaginaria que a situação da habitação e as condições de habitabilidade no município e neste setor eram catastróficas. Isso é tudo menos verdade, sendo seguramente verdade que há casos pontuais de muito má instalação de alguns migrantes”.


“A generalidade das empresas e seguramente todas as empresas associadas da AHSA têm um cuidado extremo na maneira como os seus trabalhadores estão alojados, mesmo quando as empresas não são responsáveis pelo alojamento porque temos contratos com grandes cadeias nacionais e internacionais que são extremamente exigentes nas auditorias e certificações”, frisou.


As 30 empresas associadas da AHSA, que ocupam cerca de dois mil hectares do Perímetro de Rega do Mira, contam com “4.500 trabalhadores” no “pico” das colheitas, indicou.


Para “os casos pontuais” o responsável defendeu que “é indispensável alojar os trabalhadores agrícolas nas próprias explorações com alojamentos temporários, mas absolutamente dignos, com lotação controlada, ar condicionado e com todos os confortos que um trabalho digno exige e merece”.


“O processo tem sido de tal forma arrastado e tem sido tão difícil implementar no terreno a série de burocracias que o Governo nos tem imposto para que esses alojamentos sejam instalados e legalizados que há muitas explorações que nem sequer chegam a tentar”, reconheceu.


O responsável espera que “este desastre” possa servir para o Governo “finalmente perceber que tem de agilizar a autorização para instalar condignamente os trabalhadores nas explorações agrícolas, porque o tempo que vai demorar que o município construa o número de casas suficientes não é compatível com as necessidades dos próximos anos”.


Questionado sobre as ações de fiscalização em curso, o presidente da AHSA, disse que “estão a decorrer intensamente”. Já sobre o registo diário dos trabalhadores, adiantou que “será feito no imediato já a partir de amanhã”.


Em comunicado, enviado à agência Lusa, a associação realça “que não existe qualquer caso positivo nas quintas que disponibilizam alojamento temporário aos trabalhadores” e defende “a testagem diária nas empresas” assim como “o reforço da testagem massiva de toda a população”.


HYN // RBF


Lusa/Fim


 


 

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