03 Dezembro 2021, 10:42

Covid-19: Putin critica reservas de autoridades europeias sobre vacinas russas

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Moscovo, 22 mar 2021 (Lusa) — O Presidente russo, Vladimir Putin, criticou hoje a posição das autoridades sanitárias europeias sobre a vacina contra a covid-19 Sputnik V, no dia em que anunciou que será vacinado na terça-feira.


“Não queremos forçar ninguém a fazer o que quer que seja. (…) Mas interrogo-me sobre os interesses que defendem essas pessoas: será o das empresas farmacêuticas ou o dos cidadãos europeus?”, disse o líder russo.


“Hoje, podemos dizer com segurança que as vacinas russas são absolutamente confiáveis e seguras. É um sucesso absoluto dos nossos cientistas e especialistas”, disse Putin, para criticar a forma como as autoridades sanitárias europeias e a própria Comissão Europeia tem lidado com a aprovação dos fármacos desenvolvidos com tecnologia russa.


O Presidente russo disse que está a perder a paciência com este caso, explicando que não compreende como é que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) ainda continua a analisar o pedido de aprovação da Sputnik V.


Hoje, os produtores da vacina Sputnik V também acusaram o comissário europeu Thierry Breton de ter uma abordagem “tendenciosa”, quando disse que a União Europeia não precisa da vacina russa na campanha de combate contra a pandemia.


Por seu lado, a União Europeia criticou Moscovo pela sua política de vacinas, acusando o Governo russo de estar a utilizar os fármacos como instrumento de “propaganda” para ganhar influência no cenário internacional.


Putin anunciou que será vacinado na terça-feira, sem esclarecer qual das três vacinas aprovadas na Rússia irá tomar.


A Rússia aprovou três vacinas contra a covid-19: a Sputnik V, a EpiVacCorona e a CoviVac (esta última ainda na fase final de estudo clínicos).


Um estudo publicado na reputada revista Lancet revelou que a Sputnik V é 91% eficaz na luta contra o novo coronavírus e parece evitar totalmente que as pessoas inoculadas fiquem gravemente doentes, embora ainda não seja claro se o fármaco pode prevenir a propagação da doença.


Os opositores do Kremlin têm criticado Putin por este ainda não se ter vacinado, argumentando que a sua relutância está a alimentar receios da população sobre o uso das vacinas.


O Presidente russo disse que mais de seis milhões de pessoas na Rússia já receberam pelo menos uma dose desta vacinas e quatro milhões já estão totalmente imunizados, números que são muito baixos, num país com cerca de 146 milhões de habitantes.


A vacinação com a Sputnik V, desenvolvida na Rússia, começou logo em dezembro, ainda antes do fármaco ter completado todas as fases de testes clínicos, mas o ritmo de imunização tem vindo a abrandar nas últimas semanas.


A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.716.035 mortos no mundo, resultantes de mais de 123 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.


A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.



RJP // ANP


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