22 Outubro 2021, 09:56

Covid-19: Secretária isenta Governo do Brasil pela crise em Manaus e é acusada de mentir

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Brasília, 26 mai 2021 (Lusa) – A secretária do Ministério da Saúde brasileiro Mayra Pinheiro eximiu na terça-feira o Governo Federal de responsabilidades na crise de oxigénio em Manaus, mas foi acusada de mentir pelos senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).


Ao longo das mais de seis horas de depoimento na CPI, que investiga alegadas falhas na gestão da pandemia de covid-19, Mayra Pinheiro relatou a sua atuação na crise em Manaus, no estado do Amazonas, onde dezenas de pacientes morreram asfixiados por falta de oxigénio em hospitais, em janeiro último.


A secretária de Gestão do Trabalho e Educação disse nunca ter visto nada igual em 30 anos de carreira na medicina, mas isentou o Governo Federal de responsabilidade no colapso hospitalar na região, versão que foi criticada por senadores.


“Como é que uma técnica com este nível de formação, com toda a assessoria do Ministério da Saúde presente em Manaus, vê um quadro desse e não identifica que haveria colapso por falta de oxigénio? Como? Ninguém vai me convencer de que vocês não tinham conhecimento porque o caos estava lá, a olhos vistos. A solução estava ali do lado e não conseguiram resolver”, contestou o senador Eduardo Braga.


Mayra contradisse ainda o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello sobre o momento em que a tutela da Saúde foi informada do problema no abastecimento de oxigénio hospitalar em Manaus, no início do ano.


Pazuello afirmou que foi avisado sobre a crise em 10 de janeiro, porém, a secretária declarou que conversou sobre o assunto com o general dois dias antes, em 08 de janeiro.


Um dos momentos mais aguardados do depoimento da médica pediatra era a abordagem à sua forte defesa da cloroquina, um fármaco tradicionalmente usado em casos de malária, mas sem eficácia contra a covid-19.


Mayra Pinheiro, também conhecida como “capitã cloroquina”, usou o seu depoimento para voltar a defender o uso do medicamento na fase de replicação viral, no início da doença, e admitiu que o Ministério deu orientações para a utilização do fármaco contra a covid-19.


A médica confirmou que encaminhou um ofício à Secretaria de Saúde de Manaus indicando a cloroquina entre os medicamentos a usar, ressaltando que havia “comprovação científica sobre o papel das medicações antivirais orientadas pelo Ministério da Saúde”.


No ofício, a secretária reforçou que seria “inadmissível” a não adoção da orientação, segundo a imprensa local.


A secretária defendeu também a autonomia médica e o “livre-arbítrio” dos profissionais de Saúde e dos seus pacientes durante os tratamentos, mas a sua posição acabou criticada por senadores.


Segundo Eduardo Braga, a médica não tem nenhuma publicação na área de medicamentos e, mesmo assim, contrapôs-se aos pareceres científicos internacionais.


Mayra Pinheiro lançou ainda críticas à Organização Mundial de Saúde (OMS), argumentando que a entidade já fez recomendações “condenáveis” e teve “falhas”, acrescentando que os países não são obrigados a seguir as orientações da OMS.


A intenção da CPI, com o depoimento da médica, é esclarecer se o Governo, através da insistência no uso da cloroquina, contribuiu para agravar a situação da pandemia e se incorreu em desvio de dinheiro público, ao ordenar a fabricação massiva e a importação do fármaco.


O relator da CPI, senador Renan Calheiros, apontou, pelo menos, 11 contradições e mentiras no depoimento de Mayra Pinheiro, entre elas o tratamento precoce contra a covid-19 ou a crise em Manaus.


O presidente da CPI, Omar Aziz, disse na terça-feira que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o ex-ministro Eduardo Pazuello, serão reconvocados para prestar depoimentos.


O Brasil, um dos países mais afetados pela pandemia em todo o mundo, totaliza 452.031 mortes e 16.194.209 milhões de casos.


A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.475.079 mortos no mundo, resultantes de mais de 167,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.



MYMM // PTA


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