04 Julho 2022, 01:14

Crise/Energia: Importação de combustíveis já custou mais 16,3% a Cabo Verde este ano

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Praia, 22 nov 2021 (Lusa) – Cabo Verde importou o equivalente a quase 210 mil euros por dia em combustíveis de janeiro a setembro, mais 16,3% face às compras no mesmo período de 2020, segundo dados do Banco de Cabo Verde.


De acordo com os dados compilados hoje pela Lusa sobre as importações nacionais, o país comprou ao exterior, nos primeiros nove meses deste ano, mais de 6.245 milhões de escudos (56,9 milhões de euros) em combustíveis de vários tipos, nomeadamente para garantir a produção de eletricidade.


De janeiro a setembro de 2020, período fortemente afetado pelo confinamento geral provocado pela pandemia de covid-19, o arquipélago importou mais de 5.372 milhões de escudos (48,9 milhões de euros) em combustíveis, segundo o histórico do BCV.


Em média, Cabo Verde – que não tem capacidade de refinação nacional – passou do equivalente a 179 mil euros diários de combustíveis importados nos primeiros nove meses de 2020, para quase 210 mil euros no mesmo período de 2021.


Como reflexo do progressivo aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais, os combustíveis à venda em Cabo Verde já aumentaram de preço mais de 60% no último ano e praticamente 10% de outubro para novembro, ao que acresce a atualização das tarifas de eletricidade — praticamente 80% é produzida por centrais a gasóleo – no mês passado, que cresceram em média 30%.


Em todo o ano de 2020, Cabo Verde comprou ao exterior pouco mais de 6.793 milhões de escudos (61 milhões de euros) em combustíveis de vários tipos, contra os 9.164 milhões de escudos (82,3 milhões de euros) em 2019.


De 2019 para 2020, com a economia a crescer mais de 5%, a importação de combustíveis por Cabo Verde aumentou mais de 1%.


Contudo, essa importação caiu para o equivalente a 166 mil euros por dia em 2020, face aos impactos da crise económica sentidos a partir de abril.


Os dois meses de estado de emergência, em abril e maio de 2020, com confinamento generalizado da população e restrições à circulação, bem como o encerramento do arquipélago a voos internacionais de março a outubro, para conter a transmissão da pandemia de covid-19, explicam a quebra de 26% no valor dessas importações no espaço de um ano, bem como a descida das cotações internacionais do petróleo, nesse período.


O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, afirmou no início deste mês, em Lisboa, que o Governo já está a fazer um “esforço” para mitigar as consequências do impacto do aumento do preço dos combustíveis no arquipélago.


“Já estamos a fazer um esforço”, afirmou o chefe do Governo cabo-verdiano, confrontado com o pedido feito na mesma semana pelo então Presidente do país, Jorge Carlos Fonseca — que cessou funções em 09 de novembro, após a posse do novo chefe de Estado, José Maria Neves -, que pediu “medidas que compensem, que mitiguem e que amorteçam os efeitos negativos dessa subida de preços”.


“Nós baixámos o IVA de 15% para 8%, não só na eletricidade, mas também na água, aumentámos o nível de devolução da tarifa social de 30% para 50% para as famílias de menor rendimento e também introduzimos a dedução fiscal de 130% para as empresas relativamente ao custo com energia”, disse o primeiro-ministro em declarações à comunicação social, em Lisboa.


Ulisses Correia e Silva apontou que o arquipélago vive o que espera ser uma situação conjuntural, mas que o executivo está a analisar medidas para reduzir os seus efeitos.


“Nós estamos perante uma situação que espero que seja conjuntural, de uma crise energética que é impactante, e o país tem limitações em termos de instrumentos também que possam minorar ainda mais esse efeito, mas nós estamos ainda em sede de discussão do Orçamento do Estado para a sua aprovação no parlamento e, até lá, iremos ver que outros instrumentos podem ser mobilizados para minorar o efeito”, sublinhou.


Ulisses Correia e Silva considerou que a crise energética é “uma outra crise que se junta à pandemia”.


“Temos metas muito ambiciosas”, sublinhou, remetendo para a vontade de ter as energias renováveis responsáveis por 50% da produção energética em 2030 ou para a transformação digital, que diz ser “um fator importante para a melhoria da eficiência da economia”.



PVJ (JYO) // VM


Lusa/Fim

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