14 Novembro 2022, 06:46

Cuba continua empenhada em manter apoio médico a Timor-Leste – diplomata

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Díli, 16 nov 2021 (Lusa) — Cuba continua empenhada em apoiar a saúde em Timor-Leste, incluindo, desde 2003, a realização de mais de 13,6 milhões de consultas por médicos cubanos no país, disse à Lusa um responsável diplomático do país.


“A vontade política foi uma constante durante quase 20 anos de relações diplomáticas bilaterais. Cuba manteve e mantém uma política de apoio e solidariedade com Timor-Leste, que é transversal a todo o programa da Brigada Médica Cubana” (BMC), disse o terceiro secretário da Embaixada de Cuba em Díli, José Ernesto Díaz Pérez.


A dimensão do apoio da BMC é patente nos números: desde 2016 e até outubro último, os médicos cubanos que passaram por Timor-Leste realizaram mais de 13,6 milhões de consultas em todo o país.


Em alguns casos, são mesmos os únicos especialistas a trabalhar em Timor-Leste.


Só nos primeiros dez meses deste ano foram dadas mais de 240 mil consultas por médicos cubanos, que ao longo dos últimos quase 20 anos realizaram mais de 134 mil cirurgias e apoiaram mais de 25.500 nascimentos, dos quais mais de nove mil cesarianas.


Paralelamente, e como faceta crucial da cooperação bilateral, Cuba apoiou na formação de 1.083 médicos timorenses, um número que supera o compromisso feito, no passado, pelo antigo líder cubano Fidel Castro.


A nível internacional, o impacto da BMC é ainda maior, com o país a enviar 450 mil profissionais para 160 países, os quais, se estima, prestaram cuidados de saúde a mais de dois mil milhões de pessoas, com 14 milhões de intervenções cirúrgicas.


Os dados oficiais estimam que o trabalho dos médicos cubanos tenha “ajudado a salvar 8,7 milhões de vidas”, disse Díaz Pérez.


Este trabalho, notou o diplomata, foi especialmente significativo durante a pandemia da covid-19, com o país a enviar 57 brigadas do contingente Henry Reeve para 41 países, na Europa, na Ásia, em África e na América Latina.


A cooperação médica com Timor-Leste, por seu lado, nasce de um encontro, em 2003, à margem da cimeira dos Movimento dos Não-Alinhados, em Kuala Lumpur, entre Fidel Castro, o então Presidente timorense Xanana Gusmão e José Ramos-Horta.


“Timor-Leste tinha na altura 30 médicos. E Fidel Castro fez um compromisso de formar mil médicos timorenses. Na altura, quando ouviu esse número, José Ramos-Horta pensava que Fidel Castro estava louco”, recordou.


O número de mil médicos formados já foi ultrapassado, consolidando o apoio cubano a Timor-Leste, iniciado com assistência direta, numa primeira fase, com os custos totalmente assumidos por Cuba, e posteriormente alargada à formação.


Os primeiros médicos chegaram em 2004 e 2005 e o número foi aumentando progressivamente, chegando a ultrapassar os 300 em todo o país. Hoje há 160, com profissionais em assistência médica direta, outros a ministrar formação e outros em regime misto.


Na Escola Superior de Medicina, em Díli, “a maioria dos docentes são cubanos”, com outros profissionais que estiveram no país ao serviço da BMC a permanecem no país, assumindo outros contratos, mesmo depois de finda a missão de cooperação, disse.


“Temos uma grande experiência de formação em Timor-Leste e noutros locais, com um currículo que foi já acreditado internacionalmente e com um programa muito prático, que tenta levar o estudante a lidar diretamente com o paciente, a sentir a visão humanista da medicina”, explicou.


“E estamos já em 1.087 médicos formados, tendo ultrapassado o compromisso de mil formados em 2019. Estamos a falar de uma percentagem muito elevada de todos os médicos atualmente a exercer em Timor-Leste”, sublinhou.


Atualmente, há cerca de 733 alunos em formação, com 28 especialistas já treinados em Cuba, em áreas que vão desde cardiologia a medicina intensiva e de emergência, neurologia e oncologia, entre outras.


Quatro, incluindo três na área de ginecologia e obstetrícia, estão prestes a terminar a formação em Cuba.


“É uma relação sinérgica. Os médicos que chegaram a Timor-Leste e também cresceram como seres humanos. E há vários que já não estão na brigada e continuam a trabalhar no país. E falam muito do humanismo e de quanto o trabalho aqui os fez crescer”, referiu.


Durante a pandemia, por exemplo, os médicos cubanos ajudaram a reforçar a resposta do país, com especialistas a trabalhar “nos momentos mais difíceis”, incluindo a apoiar na assistência aos casos mais graves.


“E Cuba continua disposta a apoiar no que Timor-Leste nos solicite. Inclusive para enviar vacinas cubanas que se tem demonstrado serem muito eficazes”, adiantou.


Em Cuba, até ao final da semana passada, já tinham recebido pelo menos uma dose de uma das três vacinas do país — a Soberana 02, a Soberan Plus e a Badala — mais de dez milhões de pessoas, ou 90% da população total. Com a vacinação completa há quase 8,4 milhões de pessoas.


A nova meta, disse o diplomata, é ajudar o sistema de saúde timorense a ter mais especialistas, fortalecendo todos os níveis de atenção, primária, secundária e terciária, com formação em Cuba, em Timor-Leste ou mista, dependendo das especializações.


“O objetivo é que Timor-Leste necessite de cada vez menos cooperantes cubanos. Ainda que atualmente haja muitas especialidades em que o único especialista é o médico cubano”, notou Díaz Pérez.


Mesmo que a cooperação médica seja a mais visível, Cuba tem vindo igualmente a desenvolver programas noutras áreas, como educação, cultura e desporto, e está agora a estudar apoiar o desenvolvimento de cooperativas.


“Dizem que a perfeição é inimiga do bom. Mas sentimos orgulho pelo trabalho que temos feito aqui, ou quando vemos um médico formado por Cuba a dar assistência à população”, afirmou.


 


ASP // EJ 


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