07 Dezembro 2022, 20:42

Cuidar é a palavra-chave para sair da Crise – João Paulo Silva

Professor

Agora que chegou aqui…

Ao longo do último ano, o MUNDO ATUAL tem conquistado cada vez mais leitores.
Nunca quisemos limitar o acesso aos nossos conteúdos, ao contrário do que fazem outros órgãos de comunicação, e mantivemos sempre todas as notícias, reportagens e entrevistas abertas para que todos as pudessem ler.
Mas precisamos do seu apoio. Para que possamos, diariamente, continuar a oferecer-lhe a melhor informação, não só nacional como local, assim como para podermos fazer mais reportagens e entrevistas do seu interesse.
O MUNDO ATUAL é um órgão de comunicação social independente e isento. E acreditamos que para que possamos continuar o nosso caminho, que tem sido de sucesso e de reconhecimento, é importante que nos possa ajudar neste caminho que iniciámos há um ano.
Desta forma, por tão pouco, com apenas 1€, pode apoiar o MUNDO ATUAL.

Obrigado!

A chave esteve no Nós. No coletivo.

Cuidar é uma palavra que pode ser usada de muitas formas e os poetas vestem-na de muitas roupagens. Para si, que me faz o elogio de seguir esta reflexão, cuidar significa o quê?

Tomar conta? Tratar de? Interessar-se por?

Cuidar, muito mais que um ato é uma atitude.

A atitude refere-se à forma como pensamos sobre algo, como sentimos. Não depende da ação ou da reação ao momento. É algo mais permanente no tempo, algo que nos torna mais humanos e por isso mais sociais.

E a espuma dos dias tem mostrado o quanto é difícil conjugar o verbo cuidar no presente, sobretudo nas primeiras pessoas: eu cuido, nós cuidamos.

PUB – CONTINUE A LER A SEGUIR



A história da humanidade mostra-nos que nem sempre fomos ser sociais, mas mesmo os povos nómadas cedo perceberam as vantagens de trabalhar em equipa. Fico, até por isso, surpreendido com uma espécie de pós-modernidade que alguns novos atores políticos parecem apresentar.

A expressão novo significa apenas isso, que algo é novo. Nem bom, nem mau. É apenas novo. Há coisas novas que são péssimas, como haverá coisas antigas que continuam a ser fantásticas.

E esses que parecem novos, mais não são do que uma embalagem moderna para um individualismo sem sentido e fora de moda.

Corre por aí a ideia que a solução para os nossos problemas enquanto sociedade passa por um maior individualismo, por deixar o mercado resolver todos e cada um dos nossos problemas. Pois bem, lamento informar os mais modernaços, mas essa receita é muito antiga e não dá resultado.

Vivemos tempos delicados. A crise de 2008 antecedeu a presença da Troika em Portugal. Depois desta, veio a pandemia, tendo-se sucedido uma escala inflacionária, motivada ou não pela guerra na Ucrânia.

São demasiados anos de problemas, de dificuldades, de crises sucessivas que pressionam negativamente a qualidade de vida, sobretudo, dos mais frágeis.
Na crise da dívida, em oposição às dificuldades gregas, ficou claro que o nosso tecido social foi decisivo para amortecer o impacto do que se passou. A conjugação do triângulo Estado- terceiro setor – privados foi decisivo para ajudar a ultrapassar com sucesso a bancarrota do país. Foi também essa a chave do sucesso no combate à pandemia.

A chave esteve no Nós. No coletivo.

A solução esteve no cuidar, no interessar-se por, no tomar conta de…

É também esta a única solução que temos para os problemas que as famílias enfrentam. Não sei se será com a atribuição de dinheiro diretamente às famílias, mas a questão do seu rendimento é decisiva para manter a coesão social. Não podemos introduzir medidas pelo lado das empresas que apenas produzam efeito do lado dos lucros. O foco, nestes dias, tem de ser a célula base da nossa sociedade – a família. E, por essa via, os seus rendimentos.

Soluções como a atribuição de forma gratuita do passe para acesso aos transportes públicos poderia ser um caminho, como também fazem sentido a atribuição de verbas para apoio à compra de material escolar, a oferta dos manuais ou a abertura de uma rede pública de creches.

O caminho não se faz voltando a ter cada um a cuidar das suas coisas. O individualismo em que cada um trata de si e o Estado não trata de ninguém não é o caminho. Tal como também não será opção ter o Estado a tratar de todos, deixando o individuo esmagado pela sua presença. A solução está algures do lado das pessoas, mas sempre numa perspetiva de equipa. Como se fossemos uma equipa de voleibol que precisa, em equipa, de manter a bola no ar.

E manter a bola no ar é cuidar das dificuldades de todos, não deixando ninguém para trás.

Os outros, os modernos individualistas, esses ficam nas redes a debitar chavões em inglês e no canto menor que a história lhes vai destinar.

E quando eles precisarem, cá estaremos para cuidar deles.

Sem comentários

deixar um comentário