04 Julho 2022, 08:00

Defensores da liberdade de imprensa querem que Reino Unido recuse extraditar Assange

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Londres, 22 abr 2022 (Lusa) – Várias organizações de liberdade de imprensa pediram numa carta enviada hoje à ministra do Interior britânica para recusar a extradição do fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, para os Estados Unidos por espionagem.


Na quarta-feira, a justiça britânica deu formalmente luz verde à extradição do australiano de 50 anos à justiça americana, mas agora cabe à ministra do Interior, Priti Patel, assinar um decreto de extradição, suscetível de recurso.


Numa carta, funcionários de 19 organizações – incluindo a organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras, as federações europeias e internacionais de jornalistas, além de vários clubes PEN – instam o ministro a “agir no interesse da liberdade de imprensa, recusando a extradição” de Julian Assange.


Os signatários pedem a “libertação imediata” da prisão de Belmarsh, perto de Londres, “onde está há três anos, apesar dos riscos consideráveis para a saúde mental e física”.


A justiça norte-americana quer julgar o fundador do WikiLeaks pela divulgação, a partir de 2010, de mais de 700.000 documentos classificados sobre atividades militares e diplomáticas americanas, em particular no Iraque e no Afeganistão.


Assange foi preso em 2019 depois de passar mais de sete anos como refugiado na embaixada do Equador em Londres.


Processado ao abrigo da legislação contra a espionagem que, segundo os signatários, o impede de se defender eficazmente ao privá-lo do recurso à noção de interesse público, Julian Assange pode ser condenado a 175 anos de prisão.


Os signatários acreditam que, apesar das garantias das autoridades norte-americanas, é “altamente provável” que ele seja sujeito a condições de confinamento solitário no sistema penitenciário norte-americano que “exacerbariam severamente” o risco de suicídio.


Acusações contra Assange, alertam os signatários, “abririam um precedente perigoso, que poderia ser aplicado a qualquer meio de comunicação social que publique artigos baseados em fugas de informação, ou contra qualquer jornalista, editor ou fonte em qualquer lugar do mundo”. 



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