04 Julho 2022, 04:29

Deputado de Macau pede mais postos de trabalho para residentes locais

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Macau, China, 25 mai 2022 (Lusa) – O deputado de Macau José Pereira Coutinho pediu hoje ao Governo que crie mais postos de trabalho para os residentes e diminua o tempo de espera na atribuição de habitação social.


“Até finais de março do corrente ano, trabalhavam cerca 167 mil trabalhadores não residentes, destes, 54 mil trabalhadores não residentes exercendo trabalhos não especializados”, afirmou o deputado, na intervenção antes da ordem do dia, na Assembleia Legislativa (AL).


Pereira Coutinho pediu ao Governo para que estes 54 mil postos de trabalho “sejam a curto e médio prazo ocupados pelos residentes permanentes”.


Como exemplo, o deputado apontou bancos e atividades financeiras, nas quais contou mais de um milhar de trabalhadores não especializados não residentes, no comércio por grosso e retalho, com cerca 21 mil trabalhadores, ou nas atividades imobiliárias, segurança e marketing, com cerca de 23 mil trabalhadores.


“Porque não são libertadas estas vagas para poderem ser ocupadas pelos residentes permanentes”, questionou.


O deputado defendeu que as autoridades devem cumprir “rigorosamente o princípio fundamental constante na lei de bases do trabalho de que a importação de mão de obra não local destina-se somente a suprir insuficiências no mercado local de emprego”.


Para Pereira Coutinho, o aumento de problemas como ansiedade, depressão e stress mental, bem o número de casos de suicídio, que disse ter subido “180% em comparação com o período homólogo do ano passado”, estão relacionados com o desemprego, a impossibilidade de pagamentos das amortizações e rendas das casas e problemas financeiros.


“Há bastante miséria disfarçada e o Governo deve intervir com urgência implementando por via legal moratórias das casas e diminuir drasticamente o tempo de espera na atribuição das casas sociais”, alertou.


O deputado sublinhou a existência de várias incertezas em Macau, na indústria do jogo, no mercado de trabalho, no imobiliário, no futuro dos jovens e dos idosos e também em relação à da função pública, que considerou resultado da “inexistência de um conjunto das ações de política macroeconómica e sociais direcionadas ao futuro da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau]”.


“Se as PME [pequenas e médias empresas] são avessas às incertezas do mercado sem turistas suficientes para um desenvolvimento sustentável do mercado de prestação de serviços e bens, muito menos ajudará o pessimismo face ao ‘endividamento’ que aflige a todos, no dia a dia, paralisando principalmente as PME”, afirmou.


As medidas de restrição e controlo contra a covid-19 levaram Macau, que em 2019 contabilizou quase 40 milhões de visitantes, a fechar a fronteira a estrangeiros e impor uma quarentena obrigatória a quem chega de zonas consideradas de alto risco.


A perda de milhões de turistas levou a quebras sem precedentes na indústria do jogo, fundamental na economia do território, que registou apenas 82 casos de covid-19 desde o início da pandemia, em março de 2020.


O jogo representa cerca de 80% das receitas do Governo e 55,5% do produto interno bruto (PIB) de Macau, numa indústria que dá trabalho a mais de 80 mil pessoas, ou seja, a 17,23% da população empregada.



EJ // JH


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