04 Julho 2022, 03:38

Desflorestação representa 80% das emissões de gases de Moçambique

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Abidjan, 13 mai 2022 (Lusa) – As florestas moçambicanas, que cobrem mais de metade do território, estão a desaparecer a um ritmo de 220.000 hectares por ano e a desflorestação representa 80% das emissões de gases do país, alerta um relatório hoje divulgado.


Intitulado “Avaliação da Prontidão para o Crescimento Verde em África”, o relatório do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e do Instituto Global para o Crescimento Verde (IGCV) faz uma análise aprofundada do estado de preparação para o crescimento verde em sete países — Gabão, Marrocos, Moçambique, Quénia, Ruanda, Senegal e Tunísia.


Apresentado na quarta-feira durante um evento paralelo da 15.ª sessão da Conferência das Partes (COP15) da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação, a decorrer em Abidjan até 20 de maio, e divulgado hoje num comunicado do BAD, o estudo conclui que, em Moçambique, a intervenção crucial para o crescimento verde está no combate à desertificação.


Citando dados recentes do Governo moçambicano, os autores do estudo escrevem que mais de metade da área de Moçambique (40,6 milhões de hectares) está coberta por florestas.


“No entanto, este recurso crucial está a encolher a um ritmo alarmante: aproximadamente 220.000 hectares de floresta desaparecem todos os anos. A este ritmo de desflorestação, as emissões de gases com efeito de estufa provenientes da desflorestação representam 80% das emissões totais de Moçambique”, alertam.


Segundo os especialistas, a desflorestação em Moçambique é provocada pela expansão da agricultura comercial, pelas práticas de agricultura itinerante, pela extração de madeira, pela produção de lenha e carvão, pela expansão urbana, a mineração e a pecuária.


A agricultura itinerante (agricultura de corte e queima, que muitas vezes resulta na propagação descontrolada de incêndios) foi a principal causa de 65% da desflorestação em Moçambique entre 2000 e 2012.


Lembrando que as famílias moçambicanas usam os recursos florestais para 85% das suas necessidades energéticas e que apenas 5,7% da população rural tem acesso a eletricidade, os autores do estudo concluem que a desflorestação e a degradação agrícola se tornaram graves preocupações para as autoridades do país.


Nesse sentido, recordam que Moçambique adotou uma estratégia REDD+ (Reduzir as Emissões da Desflorestação e Degradação das florestas), e desenvolveu várias iniciativas e medidas regulatórias, nomeadamente um novo regulamento para a indústria madeireira que protege algumas espécies de árvores,


Dado o papel crucial do setor das florestas em Moçambique, sublinham os especialistas, a estratégia REDD+ e o Plano de Investimento Florestal criado pelo Governo, são considerados essenciais no plano nacional para reduzir as alterações climáticas e para alcançar um crescimento verde resiliente.


Os autores do relatório lembram ainda que em 01 de fevereiro de 2019, Moçambique assinou um acordo com o Banco Mundial através do qual recebe pagamentos de até 50 milhões de dólares (48 milhões de euros) por conseguir reduzir com êxito as emissões de gases poluentes e a desflorestação.



FPA // PJA


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