08 Outubro 2022, 18:35

Detido suspeito de envolvimento no rapto de pelo menos quatro empresários em Maputo

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 06 set 2022 (Lusa) — O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) anunciou hoje a detenção de um suspeito de envolvimento no rapto de pelo menos quatro pessoas, entre empresários e seus familiares, na província de Maputo.


“Trata-se de um cidadão moçambicano de 38 anos e que foi detido em resultado de um mandado de busca e captura”, explicou à Lusa Henrique Mendes, porta-voz do Sernic na província de Maputo.


O suspeito, detido na província de Gaza, é indiciado no envolvimento de pelo menos quatro raptos ocorridos entre 2020 e 2021, com destaque para os casos dos raptos dos empresários Manish Cantilal e Rizwan Adatia, bem como de Shelton Lalgy, filho de um outro proeminente empresário do ramo dos transportes.  


Segundo o porta-voz do Sernic na província de Maputo, o indivíduo, que se assume como o motorista da quadrilha, foi detido no dia 1 de setembro na província de Gaza, no âmbito de uma operação que as autoridades têm estado a desenvolver.


“Trata-se de uma rede que se dedica ao rapto de pessoas e é preciso reforçar que já tínhamos outros indivíduos detidos, alguns julgados, ligados a estes crimes”, explicou Henrique Mendes, avançando que as operações para a localização de outros membros da quadrilha continuam.


Manish Cantial, sócio de um espaço de restauração numa das principais avenidas de Maputo, e o empresário e filantropo indiano Rizwan Adatia foram raptados entre fevereiro e maio de 2020, tendo sido semanas depois resgatados pelas autoridades no âmbito da mesma operação.


O empresário e filantropo indiano Rizwan Adatia, que esteve raptado durante 21 dias em maio, acabaria por abandonar Moçambique.


Shelton Lalgy, filho de um outro proeminente empresário do ramo dos transportes, foi também raptado em fevereiro de 2022 e libertado dias depois em circunstâncias por esclarecer.


Algumas cidades moçambicanas, principalmente as capitais provinciais, voltaram a ser afetadas desde 2020 por uma onda de raptos, visando principalmente empresários ou seus familiares.


Numa avaliação sobre a criminalidade, apresentada no início de junho, a procuradora-geral da República de Moçambique referiu que os crimes de rapto têm vindo a aumentar e os grupos criminosos têm ramificações transfronteiriças, mantendo células em países como África do Sul.


De acordo com Beatriz Buchili, foram registados 14 processos-crime por rapto em 2021, contra 18 em 2020, mas há outros casos que escapam à contabilidade oficial, sendo que na maioria o desfecho é desconhecido.


Em novembro de 2021, a Polícia da República de Moçambique lançou a formação de uma força mista para responder a este tipo de crime, um grupo de oficiais que estão a ser capacitados por especialistas ruandeses.



EYAC // JH


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