05 Julho 2022, 06:55

Diretor-executivo da Liga diz que Portugal está no sentido contrário à centralização

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 07 abr 2022 (Lusa) — O diretor-executivo da Liga Portuguesa de Futebol Profissional manifestou-se hoje desagradado com a situação atual relativamente à centralização dos direitos televisivos, referindo que Portugal está “no sentido contrário na autoestrada” face aos outros países europeus.


“Ninguém sabe quando isto [de centralizar os direitos] vai acontecer, quando o mercado vai conseguir responder a isso. Nós [Portugal] somos, literalmente, o carro que vai no sentido contrário na autoestrada. Na Europa, quase todas as ligas [de futebol] e competições de outras modalidades têm os seus direitos centralizados”, contou Tiago Madureira, durante um debate sobre o tema, que decorreu no ISCTE.


Para o diretor-executivo, centralizar os direitos “terá um forte impacto financeiro, uma vez que vai gerar mais dinheiro e um produto melhor”, mas indica que “o grande impacto que vai ter em Portugal será um caderno de encargos de obrigação, para que todos percebam que o maior ativo tem de ser tratado de forma conjunta”.


Contudo, Tiago Madureira corrigiu e esclareceu que se trata de “direitos audiovisuais”, visto que esta questão engloba muito mais do que apenas 90 minutos de jogo.


“Centralização dos direitos audiovisuais, é disso que estamos a falar. É muito mais alargado e é algo que não se restringe ao jogo de futebol, aos 90 minutos. É muito mais alargado e estende-se à competição, às plataformas e às formas de consumo, que são adaptadas de uma forma muito acelerada. Temos de ser capazes de ajustar isso”, explicou.


Depois, deu conta daquele que tem sido, talvez, o maior entrave para que a centralização não avance em Portugal e deu o exemplo de Espanha.


“Há uma situação particular em Portugal. Os clubes venderam contratos à NOS e à Altice e depositaram os contratos na Sporttv. Todos os clubes estão proibidos de vender os seus direitos a partir da época 28/29, que é quando termina o último contrato. A maior parte dos casos são as ligas que entendem que este é o caminho, de gerar mais competição. As ligas ou se entendem e, com o aval de todos, estabelecem um acordo. Ou, como em Espanha, temos uma intervenção governamental e decide-se. Sei que os direitos devem ser centralizados”, argumentou.


Por fim, reforçou que a “questão das receitas é impactante nos clubes, na gestão e no desenvolvimento de jogadores”, para os “próprios jogos se tornarem mais atrativos e existir o fator de incerteza [no resultado]”.



AJC //


Lusa/Fim

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